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BMG e Bonsucesso têm origem na mesma família

Bancos pertencem a familiares de coronel Benjamin, empresário que criou o Banco de Minas Gerais em 1930

Nelson Rocco, iG São Paulo |

As histórias dos bancos Bonsucesso e BMG se cruzam, mas não por acaso. Ambos pertencem aos familiares de Benjamin Ferreira Guimarães, que em 1930, juntamente com os filhos fundou o Banco de Minas Gerais. Coronel Benjamin, como era conhecido, já era um homem rico quando entrou no ramo bancário. Em 1906 ele criou a tecelagem Ferreira Guimarães, que chegou a ser uma das mais conhecidas fabricantes de tecidos do País pela qualidade de seus produtos. “Meu bisavô ganhou muito dinheiro com a fábrica durante a Primeira e a Segunda Guerra mundial”, conta Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do Banco Bonsucesso.

Alexandre Carvalho/FotoArena
Paulo Henrique Pentagna Guimarães, presidente do Banco Bonsucesso, bisneto do criador do Banco de Minas Gerais
O banco criado pelo coronel Benjamin foi vendido para o Banco Real em 1973 por algo em torno de US$ 100 milhões, em valores da época, dinheiro dividido entre todos os descendentes do fundador. “Em 1973 encerrou-se a história de uma instituição que nasceu e cresceu, mas não soube prosperar, porque se perdeu nos diferentes anseios de uma família numerosa”, afirma Pentagna Guimarães, com certa melancolia.

Mas o sangue de banqueiro permaneceu nas suas veias e, em 1992, ele criou o Banco Bonsucesso junto com o pai, com base na financeira da família que já operava desde meados da década de 1980. Os investimentos, conta, foram de US$ 1,5 milhão. “Quando o Banco de Minas foi vendido, já tínhamos uma rede de concessionárias de veículos”, afirma Pentagna Guimarães. A criação da financeira veio para oferecer crédito aos compradores de carros. Hoje, diz o empresário, sua rede é o maior grupo do setor no Estado, com lojas das marcas Volkswagen, Fiat, Honda e Audi.

O Banco BMG foi fundado em 1982 por Flávio Pentagna Guimarães, parente de Paulo Henrique. “Flávio é filho de um dos casais da segunda geração de descendentes do coronel Benjamin. Eu sou filho de um dos casais da terceira geração”, conta Paulo Henrique. Procurado pelo iG por mais de um mês, o BMG não se pronunciou.

Segundo Pentagna Guimarães, o financiamento de veículos sofreu com a concorrência e queda de margens diante da explosão de consumo propiciada pelo Plano Real (1994) e o banco resolveu apostas as fichas em um negócio até então incipiente, o crédito consignado. “De lá para cá, o crescimento tem sido grande”, diz o banqueiro, lembrando que o Bonsucesso atua também no segmento de médias empresas. “Hoje, 80% do nosso negócio vem do consignado e 20%, do ‘midle market’. Nossa meta é que essa última área suba para 25% a 30%.”

Sem agências

O banco não tem agências, mas atua no País todo por meio de correspondentes. São 800 lojas no Brasil e algo em torno de 1,5 mil pontos de venda. Segundo Pentagna Guimarães, o Bonsucesso trabalha com 600 correspondentes. São como franqueados, donos das próprias lojas, mas que estampam a marca do banco. “Eles recebem mais de 4 mil propostas de empréstimos por dia e são remunerados por essa prestação de serviço”, conta o banqueiro.

A carteira de crédito do banco estava, em dezembro, na casa dos R$ 2,7 bilhões. Pentagna Guimarães afirma que, no balanço, aparece R$ 1,5 bilhão como carteira. A diferença é representada pela compra e venda de carteiras de outras instituições. Pelos suas cálculos, a rentabilidade sobre o patrimônio do banco deve ter fechado o ano na casa dos 30%.

Pentagna Guimarães afirma que planeja abrir o capital do banco e ofertar suas ações na Bolsa de Valores, mas aguarda o melhor momento para isso. “Se houver uma janela de oportunidade em 2011, vamos aproveitá-la, porque não me afasto do objetivo de capitalizar o banco”, afirma o dono do Bonsucesso, lembrando que ainda não tomou providências para tocar a oferta de ações. O banco fez sua estréia no mercado internacional em outubro, com a captação de US$ 125 milhões com a emissão de bônus de dez anos.

 

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