Levantamento realizado pelo iG mostra as empresas com as melhores rentabilidades líquidas no segundo trimestre

A BM&FBovespa é a campeã em rentabilidade líquida na Bolsa. A companhia obteve margem líquida de 64,55% no segundo trimestre deste ano, uma melhora de cerca de 15 pontos percentuais sobre os 49,74% registrados de abril a junho de 2009. Os números fazem parte de um levantamento efetuado pelo iG com base nos dados da consultoria Economática, levando em conta as ações que compõem o Ibovespa.

A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) encerrou o segundo trimestre com uma receita líquida de mais de R$ 473 milhões, com alta de 25% sobre o mesmo período do ano anterior. O lucro trimestral chegou a R$ 305,7 milhões, 62% acima dos R$ 188 milhões registrados em 2009. Com isso, a margem líquida da empresa (a relação entre a receita líquida e o lucro líquido) cresceu mais de 29%. A rentabilidade da Bolsa mostra que depois de pagar todas as despesas com pessoal, administração e juros, sobraram no caixa 64% de tudo que ela obteve em receita no período, valor a ser repartido com os acionistas.

A segunda colocação ficou com a credenciadora de cartões Redecard, com margem líquida de quase 57% sobre uma receita de R$ 658 milhões. Do mesmo setor que a Redecard, a Cielo ficou na quarta posição, com uma margem líquida de 47% para uma receita de R$ 970 milhões. “Alguns setores têm margem alta, como o bancário e de serviços financeiros”, justifica Ricardo Martins, gerente de pesquisas da corretora Planner. “O comércio varejista, porém, tem margens bem mais estreitas, porque o custo dos produtos vendidos leva uma boa parte da receita. Nesse caso, a administração de compras e dos estoques é fundamental”, contrapõe o economista. Como exemplo, o Pão de Açúcar teve margem líquida de 0,89%. Para a varejista online B2W, a margem ficou em 0,50%.

O levantamento levou em consideração apenas os dados das empresas que haviam tido lucro nos dois trimestres em análise e integram o índice que mede o desempenho dos papéis com mais negociação na Bolsa (Ibovespa). Ficaram fora dos cálculos os bancos (o indicador de rentabilidade líquida não é o mais usual no setor) e as companhias que não haviam informado todos os dados necessários para os cálculos. O corte foi feito com aquelas que faturaram mais de R$ 100 milhões no trimestre. A Petrobras, maior companhia do País, registrou margem de pouco mais de 15%, enquanto a Vale, outra gigante, ficou em quinto lugar no ranking, com quase 36% de margem de lucro.

De todas as integrantes do Ibovespa, restaram 42 companhias no ranking de margem líquida elaborado pelo iG . O levantamento optou pela margem líquida por ela oferecer um quadro geral da saúde das empresas. Outros indicadores, como o resultado operacional, dariam uma radiografia mais voltada para a produção. O lucro líquido é aquele que resta ao final do pagamento de todas as contas, tanto operacionais como financeiras e impostos.

As campeãs de margem líquida
Arte iG
As campeãs de margem líquida

Ganhos robustos

Essa elite empresarial aumentou suas receitas em mais de 27% na comparação trimestral, de R$ 143 bilhões para R$ 182 bilhões. O lucro dessas empresas aumentou de R$ 21,5 bilhões para R$ 25,6 bilhões, um ganho de 19%. “De forma geral, as empresas recuperaram as margens de preços e estão com desempenho melhor” na comparação com o ano passado, afirma Martins, da Planner. “Se você olhar o primeiro trimestre, já havia sido registrado 45% de ganho em termos de resultado sobre o ano anterior.”

Luciana Leocádio, chefe do departamento de pesquisa da Ativa Corretora, lembra que as companhias com ações em Bolsa têm tido melhoria no volume de vendas associado a preços melhores, o que leva à melhora das margens. “Temos uma conjuntura econômica melhor, apesar das incertezas vindas da Europa e dos Estados Unidos”, diz ela.

O gestor de renda variável da Schroders, administradora de recursos com matriz no Reino Unido, Beto Scretas, afirma que, diante da perspectiva de alta do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 7% a 7,5% neste ano, “é natural” que a “safra de resultados” do segundo trimestre tenham sido boa. “E deve continuar assim”, prevê.

Scretas afirma que estima um crescimento de cerca de 32% para o lucro de um grupo de cerca de 80 empresas com ações em Bolsa que acompanha. A projeção leva em conta as estimativas de ganho, ponderado pela participação de cada uma delas no pregão. Por esse cálculo, só em 2004 e 2005, elas tiveram lucro dessa ordem. “Em 2004, o resultado foi superior, já que vinham de uma base de crescimento negativo no ano anterior”, diz. Esse mesmo grupo teve uma queda de 5% nos ganhos do ano passado.

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