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Bancos no Brasil terão de adequar carteiras

Para analistas, situação é confortável, mas instituições enfrentarão alta de custos e podem distribuir menos dividendos

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo |

Com as mudanças em curso, o capital mínimo de proteção exigido dos bancos subirá para 10,5% dos ativos. Hoje, o Brasil já tem sua própria regra, superior, de 11%. Mas, com os colchões, essa fatia pode chegar a 13%. Os especialistas são unânimes ao afirmar que, apesar dos desafios, a situação brasileira é confortável.

Liquidez e qualidade de recursos, por exemplo, já estariam garantidos. “Os grandes bancos brasileiros têm boa parte de suas carteiras financiadas com dívida pública, atreladas ao risco soberano, o melhor do País, e também de liquidez imediata”, diz Lúcio Anacleto, sócio da área de serviços financeiros da KPMG no Brasil.

Além disso, o processo será diluído no tempo, afirma Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), já que a data de última implementação é 2019. Ele lembra que, normalmente, sinalizações de novas regras são até antecipadas pelo mercado.

A adequação ao novo capital, no entanto, dependerá da estratégia de produtos de cada instituição financeira, de seu portfólio de negócios. “Pode haver mudança no pagamento de dividendos, mas ainda é cedo para falar. A distribuição dependerá das variáveis do crédito e do lucro que o banco vai gerar”, diz Sardenberg.

Reservas adicionais

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Turistas posam ao lado da estátua do touro que é o símbolo de Wall Street: a crise do subprime fez sucumbir o terceiro e o quarto maiores bancos de investimentos dos EUA
Luis Miguel Santacreu, da Austin, também acredita que os grandes precisarão de reserva adicional. Mas ele não acredita que as restrições da Basileia comprometerão a capacidade de emprestar dos bancos maiores. “O lucro das instituições brasileiras é grande o suficiente para que cresçam sem restringir os empréstimos.”

Ele lembra que as exigências também levarão a uma demanda maior por reservas de longo prazo, o que implica no desenvolvimento de todo um mercado secundário de papéis mais longos no Brasil. “As instituições precisarão mostrar ao BC que possuem estabilidade de reservas, ou seja, que sua captação de recursos de longo prazo é sustentável e não vai sumir de uma hora para outra.”

O impacto em bancos pequenos e médios ainda é uma incógnita. Para Marcus Manduca, sócio de riscos financeiros da PricewaterhouseCoopers (PwC), essas instituições estão em situação mais confortável no que diz respeito a tamanho de reservas extras. Isso porque muitos lançaram ações em Bolsa nos últimos anos, e estão com folga para remanejar ativos.

Já Anacleto, da KPMG, acredita que algumas exigências poderão se tornar pesadas para os menores. “Caso ache necessário, o Banco Central poderá encontrar maneiras para adaptar o acordo aos pequenos e médios.”

 

 


 

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