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Para Febraban, dólar deve se valorizar após oferta de ações da Petrobras. Moeda sobe hoje, após 10 dias de queda

Os analistas de bancos esperam um real mais valorizado na comparação com o dólar no final deste ano. Em pesquisa mensal da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgada há instantes, a taxa de câmbio projetada passou de R$ 1,80 ao fim de 2010 para R$ 1,78. “A taxa cai, mas ainda assim fica mais alta do que os níveis atuais”, disse em teleconferência Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban.

Depois de dez pregões seguidos de queda, o dólar sobe nesta quarta-feira. Ontem, o real atingiu o menor nível desde 9 de novembro de 2009, a R$ 1,708, mas há pouco já era cotado a R$ 1,718. Para Sardenberg, o câmbio sofre, nesse momento, a influência da enorme capitalização da Petrobras, que traz dólares para o País. “Creio que a expectativa dos analistas é que, passada a oferta da Petrobras, o câmbio retorne a um patamar um pouco mais alto.”

A pesquisa também mostrou que se mantém o cenário de otimismo para este ano visto no levantamento anterior, de agosto. Mas as expectativas para o ano que vem tiveram ligeira piora. A projeção para o crescimento total do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 passou de 7,2% para 7,4%. O PIB do agronegócio foi o principal responsável por essa elevação, e subiu de 5,4% para 6%. A inflação (IPCA) projetada caiu de 5,3% para 5%.

Para o ano que vem, no entanto, o PIB projetado se mantém em 4,5%. A inflação sobe de 4,7% para 4,8%. “Os analistas podem estar embutindo nas projeções a ideia de que a continuidade do crescimento do País levará a um aperto monetário em 2011.”

Crédito

As expectativas dos analistas para o crédito se manteve entre as pesquisas de agsoto e setembro. A variação percentual esperada das operações passou de 21,3% para 21,2%. Sardenberg chama a atenção para a mudança na composição do número: o crédito direcionado aumenta (de 22% para 23,1%) e o livre cai (20,1% para 19,8%).

Já a perspectiva de inadimplência cresceu de 4,7% para 5% (acima de 90 dias). “Muitos analistas podem estar associando esse aumento à própria expansão do crédito, mas também à maior participação de pequenas e médias empresas no portfólio, que tendem a apresentar uma inadimplência maior em suas margens.” Apesar da perspectiva de expansão, o economista-chefe da Febraban considera a taxa confortável.

A pesquisa foi realizada entre 9 e 13 de setembro com 32 bancos: ABC Brasil, Alfa, Bradesco BBI, Bradesco, BTG Pactual, Cooperativo Sicredi, Credit Suisse, Banco da Amazônia, Daycoval, Tokyo-Mitsubishi, Banco do Brasil, Banco do Estado do Pará, Banrisul, BNB, Fator, Fibra, Banco Guanabara, Banco Industrial do Brasil, Indusval, Itaú Unibanco, Luso Brasileiro, Rendimento, Safra, Santander, Schahin, Volkswagen, BES Investimento, Votorantim, BRB, Citi, HSBC, WestlB.

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