SÃO PAULO - Com a ajuda dos bancos e das siderúrgicas, o Ibovespa fechou o primeiro pregão do mês de julho no campo positivo, descolado do cenário externo. Após três baixas seguidas, o Ibovespa encerrou os negócios com valorização de 0,49%, aos 61.236 pontos.

O giro financeiro atingiu R$ 7,247 bilhões. Já em Wall Street, enquanto o índice Dow Jones recuou 0,42%, o S & P 500 cedeu 0,32% e o Nasdaq perdeu 0,37%. Este foi o sexto dia de queda seguido do Dow Jones e o quarto do Nasdaq e do S & P 500. "O mercado teve uma correção hoje, com os investidores aproveitando as oportunidades de preços", ressaltou o analista financeiro do Paraná Banco Asset Management, Marcus Tsukuda. A quinta-feira já começou de forma negativa para os mercados. Dados do setor industrial chinês apontando uma desaceleração logo levaram os investidores a atuarem na ponta vendedora das bolsas. O indicador ganhou mais força com os números da economia americana. De acordo com o Institute for Supply Management (ISM), o indicador que mede o desempenho da atividade manufatureira do país caiu de 59,7 em maio para 56,2, em junho, um resultado mais fraco que o projetado. No setor imobiliário, a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis (NAR, na sigla em inglês) revelou que o índice de contratos de vendas para imóveis usados diminuiu 30% de abril para maio, com ajuste sazonal. O índice recuou 15,9% ante o mesmo mês de 2009. Apesar de a baixa prevalecer sobre as operações americanas e europeias, o Ibovespa começou a corrigir as perdas recentes à tarde, puxado pelos papéis do setor financeiro. As ações do segmento foram puxadas pela forte demanda na oferta pública do Banco do Brasil (BB), com as ordens de compra passando dos R$ 18 bilhões. O preço de venda dos papéis atingiu R$ 24,65, o mais baixo desde setembro do ano passado. As ações ON do BB tiveram a principal alta do Ibovespa, ao subirem 6,12%, a R$ 26,16, com giro de R$ 815,1 milhões, seguidas por Itaúsa PN (+5,32%, a R$ 11,28), Itaú Unibanco (+4,64%, a R$ 33,99) e Bradesco PN (+4,48%, a R$ 29,37). "O sucesso da oferta do Banco do Brasil puxou o setor, que andou apanhando recentemente, quando houve uma queda exagerada. Outro movimento importante foi a recuperação das siderúrgicas, que ocorreu na linha de um respiro diante das quedas mais fortes vistas desde o problema dos indicadores antecedentes da China", afirmou o sócio-diretor da Petra Asset, Ricardo Binelli. As ações PNA da Usiminas subiram 2,53%, para R$ 49,33, CSN ON teve ganhos de 1,52%, a R$ 26,7, Gerdau Metalúrgica teve apreciação de 1,33%, a R$ 29,6. Entre as "blue chips", Vale PNA teve alta de 0,71%, a R$ 38,18, com volume de R$ 847,9 milhões, enquanto Petrobras PN caiu 1,52%, a R$ 26,45, com giro de R$ 493,9 milhões. Já os papéis ON da OGX Petróleo tiveram aumento de 4,36%, a R$ 17,45. O empresário Eike Batista, controlador do Grupo EBX, confirmou que todas as grandes companhias de petróleo se mostraram interessadas em comprar parte dos ativos da OGX na Bacia de Campos. A possibilidade aberta pela companhia é de um farm out (venda) de 20% dos sete blocos exploratórios que a companhia tem na Bacia de Campos. A expectativa que o fam out seja concluído daqui a 6 e 8 meses. As maiores baixas do Ibovespa partiram de B2W ON (-3,92%, a R$ 28,9), de Lojas Renner ON (-3,36%, a R$ 47,35) e Copel PNB (-3,09%, a R$ 36,05). (Beatriz Cutait | Valor)

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