No primeiro dia do período de reserva das ações, o preço dos papéis do BB subiu 3,5%, para R$ 28,18

O Banco do Brasil (BB) deu nesta segunda-feira o pontapé inicial no processo de capitalização que promete levantar cerca de R$ 10 bilhões no mercado. São duas ofertas públicas: uma de novas ações ordinárias e outra de papéis já existentes, que estão nas mãos do BNDESPar e do Tesouro Nacional, controladores do banco. No total, serão ofertados 356 milhões de ações.

Na segunda, no primeiro dia do período de reserva das ações, o preço dos papéis do BB subiu 3,5%, para R$ 28,18. Até quarta-feira, quando termina o prazo da oferta primária (de novas ações), o preço pode subir mais um pouco, já que há um movimento de fundos de investimentos querendo melhorar o preço dos papéis, afirmam analistas. Isso seria positivo para o banco, uma vez que eleva o valor da captação.

Na oferta primária, a mais importante do processo, foram colocados à venda 286 milhões de ações a todos aqueles que, em 24 de maio deste ano, eram acionistas do banco. Eles têm até amanhã para reservar o volume necessário de ações que mantenha a atual participação no banco. Só nessa oferta o BB pode engordar em quase R$ 8 bilhões seu caixa.

Para a oferta secundária, o número de ações é menor: 70,8 milhões. Neste caso, os interessados têm até o dia 29 para fazer a reserva dos papéis já existentes no mercado (oferta secundária). Pequenos investidores, pessoas física e jurídica, poderão comprar no mínimo R$ 1 mil e no máximo R$ 300 mil em ações do BB, que separou até 30% da oferta para esses aplicadores.

Para analistas, apesar de o momento não ser dos melhores, o banco deve conseguir um resultado satisfatório. A dúvida é a que preço ele vai conseguir isso, afirma o analista da consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles. Ele lembra que, após o anúncio de capitalização, o preço das ações do BB caiu de R$ 30 para R$ 24. Ele destaca, porém, que o banco evoluiu bastante desde a crise, com melhora na carteira de crédito em alguns segmentos.

Outra preocupação é a capitalização da Petrobras, prevista para julho. "As duas operações vão exigir uma quantidade grande de dinheiro, num momento em que o mercado externo está mais seletivo por causa da crise europeia", diz o analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu. Foi por essas incertezas que o governo determinou que o Fundo Soberano do Brasil comprará 62,5 milhões de ações do banco.

Recomendação

Analistas são unânimes na recomendação de compra de mais ações para quem já é acionista. "Ou o investidor fica muito diluído", explica o analista da corretora Magliano, Henrique Klein. A subscrição de novas ações é predeterminada. Por exemplo, quem hoje tem mil ações do Banco do Brasil poderá comprar mais 82 (cerca de R$ 2,2 mil). Fazer o negócio, porém, depende da disponibilidade do caixa do investidor.

Para quem ainda não é acionista, os analistas fazem ressalvas. "Banco do Brasil é para quem tem carteira diversificada, até mesmo no próprio setor bancário", avalia Sales. Tanto ele quanto Klein salientam que o BB, por ser um banco estatal, é usado como ferramenta política, por isso oferece risco maior que os bancos privados. Na opinião de Klein, os papéis do BB devem ser mantidos por, no mínimo, 12 meses na carteira. "Nesse período é possível conseguir um rendimento entre 28% e 30%, o que é razoável."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.