Resultado considera apenas as operações em moeda local, que envolvem títulos públicos

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O Banco Central teve no primeiro semestre deste ano lucro de R$ 10,8 bilhões. O resultado considera apenas as operações em moeda local, ou seja, que envolvem os títulos públicos na carteira da autoridade monetária, utilizados na execução da política de controle da inflação. O lucro dos seis primeiros meses do ano, que será repassado ao Tesouro Nacional até o dia 9, é quase o dobro do registrado em todo o ano de 2009, quando o BC lucrou R$ 5,6 bilhões. O balanço da autoridade monetária foi aprovado ontem em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Se fossem consideradas também as reservas internacionais para a contabilidade do BC, o que não ocorre mais desde 2008, o lucro seria menor. Segundo o diretor de Administração do Banco Central, Antero Meirelles, as reservas geraram resultado negativo de R$ 1,8 bilhão, por conta da valorização do real - que diminui o valor em dólar das reservas - e da diferença entre o elevado juro brasileiro e o praticado no mercado internacional, que corrige as reservas. Ou seja, se as reservas pudessem ser consideradas, o lucro do Banco Central no semestre seria de R$ 9 bilhões.

Segundo o diretor, o lucro no semestre ocorreu pela valorização dos títulos públicos na carteira do banco. O retorno dos depósitos compulsórios também contribuiu para o resultado, ao reduzir despesas com as chamadas operações compromissadas, usadas para regular a oferta de dinheiro na economia. Apesar do forte resultado, o diretor minimizou a importância do lucro do BC. "A missão de uma empresa é sobreviver e ter lucro. A missão do Banco Central é manter o poder da moeda, por isso o resultado pode ser eventualmente positivo ou negativo", disse Antero Meirelles, ressaltando que na busca do controle da inflação, o Banco Central não pensa em ter resultados positivos no seu balanço.

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