A crença dos investidores no crescimento econômico global diminuiu em junho, de acordo com uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch realizada com gestores de fundos globais. Também está menor a confiança na capacidade das empresas em melhorar significativamente seus lucros, segundo o banco. Realizado em um momento em que ações globais tinham quedas expressivas, entre 4 e 10 de junho, o levantamento mostra que apenas 24% dos gestores acreditam que a economia mundial se fortalecerá nos próximos 12 meses, abaixo dos 42% de maio e dos 61% de abril.
Os gestores globais manifestaram preocupações semelhantes em relação os lucros corporativos. Apenas 28% acreditam que os lucros vão melhorar nos próximos 12 meses, em comparação com 47% em maio e 67% há dois meses. A proporção dos que esperam melhores margens operacionais das empresas no próximo ano caiu pela metade nos últimos dois meses, para 19%.
Também cresceu a preocupação com condições de liquidez do mercado, com 42% dos entrevistados descrevendo a liquidez como “medíocre", acima dos 22% que tinham a mesma opinião em abril.
Postura dos investidores está mais defensiva, mas sinais de pânico são menores, diz estrategista do BofA Merrill Lynch
Apetite por risco segue estável
Apesar das quedas, em termos gerais o apetite de risco segue estável. "As expectativas de crescimento global caíram e a postura dos investidores está mais defensiva, mas eles mostram pouco sinal de pânico", disse Michael Hartnett, Research.
A pesquisa também mostra que os investidores consideram que podem existir oportunidades de compra, uma vez que 38% disseram que ações estão subvalorizadas, a maior porcentagem desde março de 2009.
Em relação à inflação, os receios de alta dos preços estão menores, já que 80% dos entrevistados descartaram uma alta da taxa básica de juro dos EUA em 2010.
Confiança na China piora
A confiança na China caiu para o menor nível desde janeiro de 2009. Um total de 27% dos administradores de fundos espera que a economia chinesa enfraqueça nos próximos 12 meses, uma grande reviravolta em relação a abril, quando 21% previam uma melhora.
As commodities, estreitamente relacionadas com as fortunas da China, sofreram. Apenas 4% dos investidores globais continuam a atribuir grandes pesos a essa classe de ativos em suas carteiras, contra 17% há um mês.
Participaram da pesquisa 207 gestores de fundos globais, que, no total, administram US$ 606 bilhões (R$ 1,088 trilhão). Além deles, foram entrevistados também em levantamentos locais outros 170 gestores, que controlam US$ 411 bilhões (R$ 738 bilhões).