As reformulações pelas quais o sistema financeiro vêm passando não evitariam a crise de 2008 e ainda há questões complexas a serem discutidas antes de mudanças mais profundas no sistema. Provavelmente a atual reforma não evitaria a crise que passou¿, disse Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, durante o seminário de Mercado de Capitais da ANBIMA, que acontece nesta terça-feira em São Paulo.

A crise que passamos é de uma natureza tão complexa que é difícil dizer se as medidas de agora poderiam evitar a crise passada, concordou a macroeconomista Mônica Baumgarten de Bolle, sócia da Galanto Consultoria e especialista em crises financeiras.

Como o objetivo das medidas é evitar que erros da crise passada se repitam, algumas das sugestões que podem indicar um maior controle do mercado. Mario Mesquita, diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), destacou a necessidade de cooperação entre o BC e a CVM no monitoramento do sistema financeiro. Como exemplos, Mesquista citou as empresas não-financeiras e os fundos, de modo a reforçar a rede de segurança sistêmica.

A vigilância de instituições bancárias e não-bancárias, aliás, foi uma das questões mais discutidas no evento. Entre as questões apontadas pelos economistas está a identificação das instituições sistemáticamente importantes (as IBSRs), que seriam como "hubs, cujos movimentos poderiam comprometer toda a rede financeira.

Mônica Baumgarten disse que as medidas visam o desenvolvimento de instrumentos num arcabouço que seja capaz de controlar a autodestruição do sistema bancário. Ela também apresentou os modelos de reformas regulatórias que vêm sendo discutidas nos EUA. No geral, apontam a criação de novos reguladores, sendo um prudencial e um de conduta (para a proteção do consumidor), e a existência também de um regulador de estabilidade financeira. A divergência entre os modelos norte-americanos está no poder que o FED teria. "A idéia dos EUA era aprovar uma regulação ainda este ano, mas há várias questões pendentes, muito complexas,  e é pouco provável que sejam resolvidas até o final do ano, afirmou Baumgarten.

O seminário também discutiu desdobramentos de medidas regulatórias e a redução da oferta de crédito. Segundo Baumgarten, há um efeito relevante quando se considera a perspectiva de recuperação e se fala de recomposição de crédito, que dificilmente será rápida.

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