Tamanho do texto

A taxa de juros para pessoa física atingiu em setembro o menor nível da série histórica, iniciada em julho de 1994, segundo dados do Banco Central (BC). Contudo, o mercado de crédito dá sinais de reversão no comportamento dos juros e dos spreads bancários (diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes) em outubro.

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=economia%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237577549404&_c_=MiGComponente_C


Dados preliminares divulgados nesta terça-feira pelo BC mostram que houve forte elevação das taxas e da margem cobrada pelos bancos, principalmente nas operações para pessoas físicas.

Na média, o juro do crédito livre subiu de 35,3% em setembro para 36,3% em outubro, conforme levantamento preliminar até o dia 13. Se o movimento persistir até o fim do mês, será a primeira alta do juro após dez meses seguidos de redução da taxa. A alta foi liderada pelos financiamentos para pessoas físicas, cuja taxa aumentou expressivamente, de 43,6% para 46%. Nas operações para empresas, o juro também subiu no levantamento preliminar de outubro, mas em ritmo menor. A taxa estava em 26,3% em setembro e passou a 26,4% neste mês.

Boa parte do aumento do juro é explicada pela elevação do spread bancário. Em outubro, o spread médio atingiu 26,7 pontos porcentuais ante 26 pontos de setembro. Mais uma vez, a alta foi liderada pela pessoa física, cujo spread passou de 33,4 pontos para 35,3 pontos. Para as empresas, o spread seguiu tendência contrária e caiu de 17,7 pontos para 17,6 pontos.

"A alta do juro e do spread representa uma mudança na composição do crédito. As pessoas físicas estão procurando operações mais caras, o que eleva a média", diz o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. Operações com maior risco de calote, como o cheque especial e o cartão de crédito, têm spreads e taxas de juros maiores.

Maciel, porém, rejeita a avaliação de que o movimento de outubro possa representar uma mudança estrutural do mercado. "Não tende a ser uma mudança de tendência porque o crédito sempre espelha a economia como um todo e temos um cenário muito benigno na economia, com aumento da renda e crescimento da atividade", diz o chefe-adjunto. Ele informou ainda que o volume de empréstimos do crédito livre cresceu 1,8% em outubro até o dia 13 na comparação com setembro. Essa alta foi liderada pelo segmento pessoa física, com expansão de 2,3%, e na pessoa jurídica houve aumento de 1,3%.

Inadimplência

Maciel disse também que a inadimplência da pessoa jurídica dá sinais de estabilização e que o indicador deve começar a melhorar brevemente. Em setembro, o porcentual das empresas com atrasos superiores a 90 dias no pagamento de empréstimos subiu pelo 10º mês consecutivo. "Não posso assegurar que já chegamos à normalidade desse processo, mas a inadimplência tende a reverter o movimento de alta. Agora, é possível dizer que estamos observando um movimento de estabilização dos atrasos", diz.

O argumento de Maciel passa pela observação de que a inadimplência das empresas chegou a crescer 0,4 ponto porcentual em apenas um mês, como aconteceu em julho. Nos dois últimos meses, porém, a taxa de aumento da inadimplência é bem menor, de 0,1 ponto porcentual.

Outro sinal de volta à normalidade no crédito das empresas é o comportamento do capital de giro, diz o chefe-adjunto do Depec. A média diária de novos empréstimos nessa linha de crédito saltou 10,4% na comparação com agosto e somou R$ 1,142 bilhão. Segundo Maciel, o número revela aumento da demanda pela atividade econômica aquecida e a volta da oferta de crédito nos bancos.

Leia mais sobre juros

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.