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Analistas recomendam cautela com as ações da Petrobras

Ações da petrolífera, que têm queda de 18,12% contra 7,2% do Ibovespa, continuam voláteis, mesmo após aprovação da capitalização

AE |

Quem achava que a aprovação do projeto de capitalização da Petrobras significaria o fim da instabilidade das ações da empresa se enganou. Na quinta e na sexta-feira, dias que se seguiram ao sinal verde do Congresso ao projeto do governo, os papéis mantiveram o comportamento volátil dos últimos meses. Sexta, as ações preferenciais (PN) caíram 1%, para R$ 29,60.

A explicação dos analistas para o desempenho é também um alerta para investidores mais afoitos: a volatilidade deve continuar até que todos os detalhes da operação sejam definidos. O valor total da oferta de ações será estabelecido em 22 de junho, na assembleia de acionistas. Até que essas informações sejam públicas, a recomendação é de cautela - tanto para quem já é acionista e pensa se vai ou não subscrever a operação quanto para quem ainda não é e cogita comprar papéis da companhia.

"Precisamos saber exatamente o valor da cessão onerosa (parte do governo na capitalização, que será paga com barris de petróleo do pré-sal), além dos planos de investimento da empresa e detalhes do contrato", afirma Mônica Araújo, da Corretora Ativa. "Por mais que seja uma empresa representativa, tem de ter cautela porque a volatilidade vai continuar", emenda Victor de Figueiredo, da corretora Planner.

Do início do ano até agora, as ações da Petrobras registraram desvalorização de 18,12% - período em que o Índice Bovespa caiu 7,27%.

A perda dos papéis da estatal, segundo analistas, é reflexo de três fatores: as indefinições sobre a capitalização, a crise fiscal na Europa e o desastre ambiental no Golfo do México provocado pelo acidente em uma plataforma da britânica BP. "Mas o principal deles, sem dúvida, foram as incertezas em torno da capitalização", diz Figueiredo. "É uma grande operação, com várias etapas a definir, e houve um atraso na resposta dessas etapas." Só com os dados detalhados em mãos, dizem, será possível avaliar os prós e contras do investimento.

Os analistas lembram que, como se trata da maior capitalização em curso no mundo, estimada em R$ 100 bilhões, é muito provável que todos os investidores pessoa física que se interessarem pela operação consigam garantir sua participação. Ou seja, não é preciso correr para se decidir.

No limite

Mas por que a decisão tem impactado tanto as ações da estatal? Sem a capitalização, o nível de endividamento líquido (fruto da relação entre endividamento e patrimônio líquido) da Petrobras, que chegou a 32% no fim do primeiro trimestre, pode estourar até setembro.

No caso de uma empresa desse setor, estourar significa ultrapassar 35%. Esse é o nível máximo permitido pelas agências de classificação de risco para garantir a essas companhias o selo de qualidade conhecido como grau de investimento.

Mesmo com as inúmeras incertezas, há quem diga que comprar os papéis da Petrobras para garantir a participação no processo de capitalização - já que terá preferência quem já é acionista - promete ser um bom negócio. Júlio Mora, operador sênior da Corretora TOV, é um deles. Para Mora, é certo que, após a capitalização, a Petrobras terá ganhos muito significativos, sobretudo pelo desenvolvimento do pré-sal. "Não dá para perder a oportunidade", afirmou.

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