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Os investidores de longo prazo que não estão preocupados com as oscilações momentâneas da Bolsa da Valores de São Paulo podem ganhar uma receita adicional sem muito esforço: com o aluguel ou empréstimo de ações. Por meio do serviço chamado Banco de Títulos (BTC), o investidor, também chamado de doador, coloca à disposição seus papéis para alugar.

Os investidores de longo prazo que não estão preocupados com as oscilações momentâneas da Bolsa da Valores de São Paulo podem ganhar uma receita adicional sem muito esforço: com o aluguel ou empréstimo de ações. Por meio do serviço chamado Banco de Títulos (BTC), o investidor, também chamado de doador, coloca à disposição seus papéis para alugar. Quem aluga, conhecido como tomador, fica livre para utilizá-los, mas também é obrigado a devolvê-los conforme o combinado. Com essa operação, o dono das ações recebe uma taxa acertada entre as partes e uma taxa líquida de 0,05% ao ano sobre o volume alugado da BM&FBovespa. O proprietário dos papéis também recebe os valores distribuídos pela companhia emissora das ações durante o período em que as ações ficam alugadas. As taxas de remuneração ficam em torno de 2,5% ao ano, mas variam muito de acordo com a empresa. De 17 de maio a 7 de junho, por exemplo, a taxa da Cobrasma era de 0,10%, enquanto da Inepar Telecomunicações, de 39,99%. Estatística da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), reguladora da operação, mostra que até maio, o volume de negócios movimentados pelos doadores (pessoa física) já atingiu cerca de 70% do total movimentado em todo o ano de 2009. Para Luis Antônio Vicente, diretor de Administração de Risco da BM&FBovespa, o aumento é motivado pela indústria de fundos, os chamados tomadores mais sofisticados, que também estão em crescimento e geram uma demanda. Por outro lado, existe o trabalho de educação das corretoras para incentivar a operação. Como eles ganham? Para lucrar com a operação, os tomadores apostam na baixa das ações, as alugam e as vendem no mesmo instante. Em uma simulação, o tomador venderia as ações por R$ 3,5 mil, por exemplo. No final do período de empréstimo, se as ações realmente caírem como ele espera, ele recompra os papéis por R$ 3 mil (por exemplo), devolve ao doador, paga as taxas e ainda embolsa um bom lucro. Há três anos investindo na Bolsa, o empresário Bruno Yoshimura, 23 anos, descobriu que podia emprestar suas ações em sites na internet, mas sempre deixava para depois. Há um ano, sua corretora entrou em contato para informar o interesse de terceiros no aluguel de suas ações da Hypermarcas. Ele aceitou e, desde então, não parou mais. "Sempre empresto minhas ações e incentivo meus amigos a fazer o mesmo." Ele já chegou a faturar cerca de R$ 200 em dois meses de aluguel de suas ações da Marfrig. "Muitas pessoas não sabem que existe esse tipo de operação. Quem investe a longo prazo não tem porque não alugar", aconselha. O professor do Insper, Alexandre Chaia, chama atenção para o retorno do empréstimo, que "não é muito alto, mas é melhor do que zero." Segundo Chaia, existe uma desconfiança dos investidores iniciantes em torno dessa operação, por isso, é importante destacar a garantia do aluguel. A BMF&Bovespa, por meio do BTC, é responsável por esse mecanismo de compensação e garante ao doador o mesmo tratamento (em valores financeiros e datas de pagamento) que teria caso estivesse com seus ativos em carteira.

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