SÃO PAULO - Depois de um repique de alta, promovido por alteração em regras do mercado de câmbio, o dólar comercial retoma o movimento de baixa

. Por volta das 13h20, o dólar comercial registrava queda de 0,23%, a R$ 1,671 na venda. Na mínima, a moeda foi a R$ 1,666 e chegou a fazer máxima a R$ 1,683. Já no mercado futuro, o contrato para novembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), avançava 0,38%, a R$ 1,6795. Na máxima, o contrato foi a R$ 1,691 na venda. Foi anunciado pela manhã que o Tesouro Nacional pode antecipar a compra de dólares para fazer frente a seus compromissos externos que vencem em até quatro anos. Antes o prazo máximo de antecipação era de dois anos. A alteração foi definida ontem, em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). Na avaliação do diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Moura Nehme, com tal medida é criada mais uma fonte governamental de demanda por moeda americana. No entanto, isso não teve ter grande impacto sobre a formação de preço do dólar. Considerando os dados disponíveis até agosto, a dívida externa do Tesouro que vence em 24 meses somava R$ 17,45 bilhões. Já o montante estimado para os próximos 48 meses era de R$ 30,48 bilhões. Segundo Nehme, essa diferença de R$ 13,03 bilhões, ou o equivalente a US$ 7,6 bilhões, é o que o Tesouro poderá comprar no mercado à vista. Para o diretor da Pioneer Corretora, João Medeiros, a medida não visa apenas dar mais poder de fogo ao Tesouro na compra de dólares. O governo também consegue melhorar a gestão do seu endividamento, tirando do balanço dívidas a vencer no prazo de até 1.500 dias ou quatro anos. Medeiros lembra que medida semelhante foi adotada por países asiáticos, como Cingapura, visando melhorar o perfil do endividamento do governo. Vale destacar que ainda persistem algumas dúvidas sobre essa nova resolução do CMN. Para parte dos agentes do mercado, não está claro se esse aumento de prazo também valerá para os exportadores. Ou seja, se os dólares obtidos com as exportações também poderão ficar por mais tempo no mercado externo. Há também a percepção de que essa alteração seria apenas uma "preparação de terreno" para novas medidas que devem ser anunciadas em breve. (Eduardo Campos | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.