Papéis da mineradora sobem em torno de 4% com boas perspectivas para o setor e seguram a Bolsa em alta superior a 1%

A alta das ações da Vale mantêm a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em terreno positivo nesta terça-feira. Por volta de 14h10, os papéis ordinários e preferenciais da mineradora subiam em torno de 4% e eram responsáveis por cerca de 42% do volume de negócios do Ibovespa – principal referência da Bolsa - que tinha giro de R$ 4,5 bilhões. O índice registrava uma valorização de 1,42%, para os 64.195 pontos, maior pontuação do mês.

Os papéis da companhia já haviam subido 2,6% ontem, impulsionados pela expectativa de bons resultados trimestrais e pela alta das commodities. Nesta terça-feira, também pesa positivamente o anúncio da Vale de que acredita na recuperação dos preços do minério de ferro no mercado spot da China no quarto trimestre.

Na avaliação do analista de investimento da SLW Corretora, Pedro Galdi, o papel volta a presentar uma correção de preços, puxada principalmente pela atuação de investidores estrangeiros. Ontem, as ações da mineradora já tinham se destacado no pregão, com alta acima de 2%. "Acabou o vencimento de opções e parece que isso tirou um peso dos papel da Vale, que estava muito atrasado. A ação passa por um ajuste técnico e inclusive ajuda o Ibovespa a descolar do mercado externo", comentou Galdi. O resultado da Vale referente ao segundo trimestre deste ano deverá ser divulgado no dia 29 de julho.

Para o chefe da área de renda variável da Capital Investimentos, Fernando Barbará, o aumento na demanda por papéis de siderurgia e mineração não é exclusivo do mercado brasileiro. BHP, Rio Tinto e ArcelorMittal também sobem com força no mercado externo. Uma das justificativas para a alta, segundo o especialista, são as notícias vindas da China, indicando que o governo vai afrouxar as medidas tomadas para tentar conter o crescimento do setor de imóveis e construção.

Nos Estados Unidos, no entanto, o tom dos mercados é negativo. Por volta de 13h39, a Nasdaq perdia 0,84%, enquanto Dow Jones caía 0,78%. Nesta terça, o governo dos EUA informou que o número de obras residenciais iniciadas no país em junho caiu 5%, em base sazonalmente ajustada, depois de recuar 14,9% em maio (dado revisado). A previsão era de retração de 3,2%. O dado, que caiu para o menor nível em oito meses, mostra as dificuldades do setor imobiliário norte-americano, após a expiração do crédito fiscal do governo para os compradores de habitações.

Os números ampliaram as perdas exibidas pelos índices futuros de ações em Nova York, que já vinham fragilizados pelos resultados financeiros da IBM e da Texas Instruments, divulgados ontem à noite, e do Goldman Sachs, anunciados hoje. Segundo analistas, os investidores têm se decepcionado com os fracos resultados corporativos divulgados nos EUA e com os sinais de que a recuperação no país vem perdendo força. "Isso mantém o investidor avesso a apostar em ações e deixa os negócios voláteis", comenta o operador de uma corretora paulista. Com o mercado ainda pouco amigável, os agentes apostam em boas notícias vindas dos testes estresse dos bancos europeus para dar um alento às ações, pelo menos no curto prazo.

Apesar de a temporada de balanços no Brasil só ganhar corpo a partir da próxima semana, a Net Serviços divulgou hoje seus números trimestrais. Entre abril e junho deste ano, a companhia registrou queda de 69% no lucro líquido, para R$ 56,463 milhões, ante R$ 179,728 milhões registrados um ano antes. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 374,933 milhões no trimestre passado, um aumento de 30% em relação ao resultado de igual período de 2009.

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA-15 de julho, que registrou deflação de 0,09%. O número pode provocar alguma reação nos papéis de empresas ligadas aos setores de consumo e construção civil, assim como nas ações de bancos, por causa das expectativas de um ciclo de aperto monetário menos agressivo.

Dólar

Depois de subir a R$ 1,801 na máxima, por volta das 12h40, o dólar comercial registrava queda de 0,33%, a R$ 1,780 na venda. Na mínima, a moeda marcou R$ 1,777.

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