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Dentre fatores que influenciam de modo negativo os papéis estão relatórios de corretoras reduzindo o potencial de alta da estatal

As ações da Petrobras registravam fortes perdas pelo segundo dia seguido nesta quinta-feira, em meio a alguns fatores negativos, principalmente a publicação de vários relatórios por bancos e corretoras reduzindo o potencial de alta dos papéis.

Operadores comentaram que estão ocorrendo ajustes por parte de alguns fundos em suas posições em ações da estatal, com a execução de ordens de venda para evitar perdas maiores, movimento conhecido no mercado pelo termo "stop loss".

Analistas também falaram sobre comentários que circulam no mercado nesta quinta-feira a respeito de eventuais reportagens que poderiam surgir nos próximos dias ligando membros do PT a irregularidades na Petrobras, assunto sem qualquer confirmação até o momento.

A ação preferencial da Petrobras chegou a perder mais de 4 por cento, atingindo a mínima de 24,64 reais na sessão. A ação ordinária chegou a cair 5 por cento, com mínima a 27,58 reais.

Posteriormente os papéis recuperaram um pouco seus valores, perdendo, por volta das 13h (horário de Brasília), 2,6 por cento, no caso das preferenciais, e 3,7 por cento, nas ordinárias.

O papel da empresa já havia perdido um terço do seu valor antes da capitalização e, segundo analistas, não há como prever em que piso ela deverá reagir.

Para o analista Marco Antonio Saravalle, da Coinvalores, houve uma grande decepção por parte dos minoritários, "que ficaram com uma conta alta" e a percepção de que existem outras oportunidades. Isto estaria levando à liquidação das posições em Petrobras para comprar papéis de outros setores.

"Tem outros papéis melhores, o papel (da Petrobras) não tem reagido ao preço do petróleo, isso decepciona um pouco, porque mostra claramente que sofre influências de que não é o negócio dela em si", disse Saravalle à Reuters.

Ele explicou que daqui para frente --após a capitalização e o valor de mercado da companhia ter crescido-- o investidor deve avaliar bem o retorno que tem com a Petrobras comparada a outras ações.

"(Petrobras) não é a nossa melhor opção no curto e médio prazo, não é a nossa preferência", disse o analista.

Segundo ele, além da diluição pela avalanche de novas ações da capitalização, a operação fez com que o retorno com os projetos da companhia caísse para algo em torno de 8,5 a 9 por cento, enquanto outros projetos prometem mais.

"Fui a uma apresentação da Transnordestina pela CSN e o retorno é de 13 a 14 por cento, um projeto na terra, que já tem licença ambiental...porque vou comprar um papel com retorno mais baixo e influência política?", disse o analista.

O analista Erick Scott, da SLW Corretora, citou a questão eleitoral.

"Além do ajuste, tem uma especulação de que pode estourar escândalo da Petrobras envolvendo PT em revistas semanais", afirmou.

Questionada sobre esse tema, a Petrobras informou que não comentaria.

O PT informou que não foi procurado por qualquer veículo de imprensa a respeito de eventual reportagem sobre a Petrobras, acrescentando que não comentaria sobre rumores.

"Durante o período eleitoral, se apresentam todo tipo de especulações", afirmou Alexandre Padilha, ministro licenciado de Relações Institucionais e um dos coordenadores da campanha da Dilma Rousseff à Presidência.

"Existe um clima de confiança dos investidores internacionais de que vão ter continuidade na política econômica do presidente Lula e continuidade no esforço de fortalecimento da Petrobras, com boa governança e transparência", acrescentou.

No final desta tarde o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o diretor financeiro, Almir Barbassa, concedem coletiva à imprensa para falar sobre a capitalização após o encerramento do período de silêncio.

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