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As ações da Petrobras despencaram ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), perdendo todo o ganho obtido após a capitalização

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As ações da Petrobras despencaram ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), perdendo todo o ganho obtido após a capitalização. A queda reflete a divulgação simultânea de seis relatórios com avaliações negativas a respeito do desempenho dos papéis, cinco deles emitidos por instituições que participaram da venda de ações. No fechamento, as ações valiam ontem menos do que o valor pago pelos investidores na capitalização. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) caíram 3,98%, para R$ 29,18. Já as preferenciais fecharam em queda de 4,15%, a R$ 25,86. No processo de capitalização, os papéis foram vendidos a R$ 29,65 e a R$ 26,30, respectivamente. Ou seja, em apenas dois dias úteis após o anúncio de fechamento da capitalização, os investidores perderam 1,6% do capital investido. Os relatórios foram elaborados por Bradesco, que era o líder da operação, Itaú BBA, Morgan Stanley, Deutsche Bank, Bank of America/Merril Lynch e Barclays - o único sem participação direta na venda de ações. Itaú e Barclays rebaixaram as recomendações da Petrobras para uma classificação em linha com o mercado (ou seja, acreditam que as ações vão subir em níveis semelhantes aos da Bolsa). Antes, as duas viam potencial superior para as ações da empresa. Além disso, reduziram suas projeções de preço das ações da estatal. Os outros quatro bancos se limitaram a reduzir as projeções de preços. As justificativas giram em torno do aumento da base de acionistas, dos altos preços pagos pela empresa pelas reservas do pré-sal compradas do governo e das perspectivas de custos para exploração do pré-sal. O texto do Barclays chega a dizer que a Petrobras precisará de nova capitalização entre 2013 e 2014, caso o petróleo permaneça na casa dos US$ 80 por barril. Onda. Para especialistas, a onda de rebaixamentos ainda não chegou ao fim, uma vez que uma série de bancos e corretoras ainda prepara relatórios pós-capitalização. "É um processo natural, na medida em que se ajusta os modelos de análise da companhia, com um número maior de ações", explicou a analista Mônica Araújo, da corretora Ativa. Ela já havia rebaixado a empresa antes da capitalização e não vê agora sinais para mudança. "Acho que só teremos uma melhora no humor no ano que vem, com a divulgação de novo plano de investimentos e a incorporação de novas reservas." O movimento, porém, causou surpresa, uma vez que, há poucas semanas, os mesmos bancos estavam convencendo clientes a comprar os papéis. Um especialista em direito societário consultado pelo Estado viu possível conflito de interesses, uma vez que os bancos foram remunerados pela prestação de serviços durante a capitalização. Para ele, o movimento poderia contrariar a instrução 483 da Comissão de Valores Mobiliários, que determina a separação das atividades dos bancos. A CVM afirmou que analisa todas as informações referentes a uma oferta, e que toma providências quando necessário. A Itaú Corretora, primeira a divulgar relatório, alega, porém, que o procedimento adotado pelo banco respeita a 483 e não configura conflito de interesses. Segundo o chefe de análise do banco, Carlos Constantini, a área responsável pelos relatórios atua de forma independente de outros setores do banco e só não divulgou relatórios antes por conta de período de silêncio exigido pela lei. "Estamos muito confortáveis", afirmou ele, ressaltando que a recomendação do banco ainda prevê alta de 40% nos papéis até o fim de 2011.

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