Dólar cai quase 1% e é cotado abaixo de R$ 2,35 com ação do Banco Central

Por Reuters | - Atualizada às

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Moeda caiu 0,86%, a R$ 2,3480 na venda, após tocar, na mínima da sessão, em R$ 2,3232

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O dólar fechou em forte queda ante o real pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira (28), ficando abaixo de R$ 2,35 na venda pela primeira vez em duas semanas em resposta à ação de investidores embolsando lucros e ao programa de intervenção do Banco Central.

-Veja também: pressionado por OGX, Ibovespa encerra sessão volátil em queda

O movimento foi descolado do exterior, onde a divisa americana ganhou força diante dos temores de ação militar dos Estados Unidos na Síria.

O dólar caiu 0,86%, a R$ 2,3480 na venda, após tocar, na mínima da sessão, em R$ 2,3232. O volume de negociação na BM&F ficou em US$ 1,88 bilhão.

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O volume de negociação na BM&F ficou em US$ 1,88 bilhão

O BC continuou com sua estratégia de intervenções diárias no mercado de câmbio. Nesta manhã, foram vendidos todos os 10 mil contratos de swap cambial tradicional —equivalente à venda de dólares no mercado futuro— com vencimento em 2 de dezembro de 2013. O volume financeiro da operação foi equivalente a US$ 498,2 milhões.

No início da tarde, a autoridade monetária anunciou mais uma atuação para quinta-feira (29). O BC ofertará 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 2 de dezembro de 2013 entre às 9h30 e às 9h40. O resultado será conhecido a partir das 9h50.

Segundo o BC, o programa, que foi anunciado na semana passada com o potencial de US$ 60 bilhões, tem o objetivo de "prover hedge cambial aos agentes econômicos e liquidez ao mercado", por meio de swaps cambiais tradicionais e leilões de linha até, pelo menos, 31 de dezembro.

A expectativa é que o programa de intervenção diário realinhe os movimentos do real com o de moedas com perfil similar.

Entre o início deste mês e a última quinta-feira (21), quando o BC anunciou seu plano de intervenções, o dólar acumulava alta de 6,55% em relação ao real. A variação espelhava o fortalecimento da divisa dos EUA contra moedas de perfil semelhante à brasileira, mas era mais intensa: o dólar acumulava alta de 1,98% ante o dólar neozelandês, por exemplo, e avançava 2,81% em relação ao peso mexicano.

Nos pregões que se seguiram ao anúncio, no entanto, o movimento foi inverso. Entre sexta-feira (23) e esta sessão, o dólar ganhou 0,45% ante o dólar neozelandês e 1,86% ante o peso mexicano, mas perdeu 3,45% em relação ao real.

Síria

Mais cedo, a moeda chegou a subir quase 1%, atingindo R$ 2,3915 na máxima, por tensões com a Síria. Enviados dos Estados Unidos e seus aliados disseram aos rebeldes que combatem o presidente sírio Bashar al-Assad que as potências ocidentais podem atacar a Síria em poucos dias.

Na terça-feira (28), o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, afirmou que o exército americano está pronto para agir imediatamente caso o presidente Barack Obama ordene uma ação contra a Síria em resposta a um ataque com armas químicas.

A possibilidade de intervenção militar na Síria e as incertezas sobre o futuro da política monetária dos Estados Unidos, por sua vez, trazem ingredientes adicionais de tensão no mercado de câmbio. O Federal Reserve, banco central americano, pode começar a reduzir o programa de estímulos já no mês que vem.

Além disso, na sexta-feira (30), ocorre a formação da Ptax de agosto, utilizada como referência para diversos contratos, o que também pode ajudar a trazer alguma agitação no câmbio.

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