Para Fitch, bancos espanhóis não devem recuar posições na América Latina

Executivo da agência de classificação de risco acredita que instituições não têm urgência de se desfazer de ativos na região, como acontece com as subsidiarias na Grécia

Danielle Brant - iG São Paulo |

Apesar das dificuldades enfrentadas pelos bancos espanhóis em seu país de origem, as subsidiárias dessas instituições na América Latina não precisam se desfazer de ativos na região para capitalizar as matrizes, na opinião de Fraknlin Santarelli, diretor-executivo de Instituições Financeiras para a América Latina da agência de classificação de risco Fitch Ratings.

“A maior parte do lucro vem da América Latina, então não vemos nenhuma necessidade de os bancos espanhóis retrocederem posição na região, pois têm liquidez e funding para permanecerem aqui”, afirmou o executivo nesta quinta-feira.

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Os resultados positivos dos países latino-americanos é que acabam sustentando as matrizes durante o agravamento da crise econômica na Europa, lembra Santarelli. “As subsidiárias na América Latina representam 30% ou 50% do lucro líquido de BBVA e Santander”, explica. “Talvez haja uma reestruturação, mas não há urgência de se desfazer ativos na América Latina como há de se desfazer das subsidiarias na Grécia”, complementa o executivo da Fitch.

Já os bancos brasileiros podem ter que se acostumar a uma realidade de lucro menor se comparado a anos anteriores, na opinião de Santarelli. “Não deveríamos pedir aos bancos para terem uma performance duas ou três vezes superiores à dos maiores bancos do mundo”, afirma.

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O executivo vê as instituições privadas nacionais em uma situação paritária em relação aos principais protagonistas financeiros globais. “Em termos de rating, não estão muito diferentes (o banco brasileiro com maior rating tem nota A-, enquanto a média global é A). Em termos de capital, também não estão tão diferentes. Há cinco anos, talvez, mas eles preservaram a base de capital ou aumentaram em comparação com níveis do passado” comenta.

Segundo ele, um dos desafios no caminho é justamente a preservação do capital. “Os bancos precisam se assegurar de que o capital vai estar lá quando for necessário”, diz Santarelli.

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