Moeda norte-americana fecha a quinta-feira vendida a R$ 2,0275

Reuters

O dólar fechou em leve queda ante o real nesta quinta-feira, em mais uma sessão de baixa volatilidade e volume reduzido por conta do temor de intervenção do Banco Central, apesar do cenário externo de maior aversão a risco.

Foi a quinta sessão consecutiva de leve queda da moeda norte-americana, o que deixa investidores em estado de alerta para uma possível intervenção do Banco Central.

Para manter o câmbio em um patamar favorável aos exportadores, a autoridade monetária brasileira tem impedido que o dólar fique abaixo de R$ 2 desde o início de julho.

A moeda norte-americana fechou com queda de 0,20% nesta quinta-feira, cotada a R$ 2,0275 na venda.

Trata-se da menor cotação desde o dia 4 deste mês --quando o dólar encerrou em R$ 2,0190. No dia seguinte, o BC atuou pela última vez por meio de um leilão de swap cambial reverso, operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro.

A divisa norte-americana fechou nesta quinta-feira perto da mínima do dia, de R$ 2,0270. A máxima foi de R$ 2,0336, atingida logo na abertura. Segundo dados da BM&F, o volume negociado foi de aproximadamente US$ 2,130 bilhões.

"Estamos com pouca oscilação e poucos negócios nesta semana. O fluxo está muito devagar e há o medo de que o BC volte a atuar conforme o dólar se aproxima do nível de R$ 2,02, R$ 2,01 reais", avaliou o superintendente de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira.

"O dólar pode cair um pouco mais nos próximos dias e aí o BC deve intervir", acrescentou.

O mercado consolidou o patamar de R$ 2,00 como um piso informal depois que o BC atuou com mais frequência em meados de setembro, quando o dólar ameaçou cair abaixo desse nível, acompanhando na ocasião uma melhora no cenário externo.

No início de outubro, quando a moeda ameaçou a se aproximar dos R$ 2,00, a autoridade monetária fez outro leilão de swap reverso, intervindo com a cotação em torno de R$ 2,016.

Além de o BC defender o piso de R$ 2,00, autoridades do governo brasileiro também expressaram preocupação com uma possível valorização do real. As constantes intervenções do governo têm trazido menor volatilidade e diminuído o interesse dos investidores no mercado de câmbio brasileiro, além de impedir que o real acompanhe o movimento do cenário externo.

Nesta quinta-feira, o dólar subiu ante outras moedas no exterior, com um cenário de maior aversão a risco depois de resultados trimestrais negativos do Google, com investidores ainda cautelosos sobre a situação da Espanha e mirando a cúpula de dois dias entre líderes da União Europeia, em Bruxelas.

O mercado ficou atento ainda aos dados da economia chinesa, que cresceu 7,4% ante o ano anterior, no ritmo mais lento desde o primeiro trimestre de 2009. Foi o sétimo trimestre seguido de desaceleração, embora os resultados tenham ficado em linha com a expectativa de analistas.

Às 17h39 (horário de Brasília), o dólar tinha alta de 0,46% ante uma cesta de divisas, enquanto o euro caía 0,40% ante a própria moeda dos EUA.

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