Ex-dono do Banco Santos faz barulho para impedir leilão de sua coleção de vinhos

Edemar Cid Ferreira acusa gestor de massa falida de deixar quase 1,2 mil garrafas de vinho se deteriorarem na mansão em que vivia. Elas serão ofertadas dia 22, por R$ 431 mil

Dubes Sônego |

O ex-dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, desencadeou nesta terça-feira uma batalha pessoal para tentar evitar a venda das quase 1,2 mil garrafas de vinho que colecionava na adega de sua mansão. Enviou às redações, através de sua assessoria de imprensa, um comunicado em que acusa o gestor da massa falida do banco e de sua mansão, Vânio Aguiar, de leiloar a bebida para esconder o fato de que foi negligente e deixou que estragasse. O lote foi avaliado para o leilão em R$ 431 mil e será ofertado a partir do dia 22, no site Superbid.

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A peça fundamental da acusação é o laudo de um perito, contratado pelo gestor da massa falida, que diz que “garrafas de vinho da adega, algumas de alto valor, apresentam redução do líquido, enquanto outras já se encontram vazando e mais outras apresentando início de deterioração”. O documento, assinado por Oliver Smith, segue sugerindo a venda o mais rápido possível da bebida, sob pena de perda de qualidade e de valor da coleção.

Cid Ferreira diz que a deterioração dos vinhos está sendo causada porque Aguiar desligou o ar condicionado da mansão, “transformando a adega em uma estufa”. E pede o direito de enviar um perito seu à mansão para conferir o estado da bebida e de uma coleção de 600 obras de arte. “Os vinhos se deterioraram. O próprio perito contratado por ele (Aguiar, o gestor da massa falida) atestou”, diz o ex-banqueiro. O leilão, argumenta ele, seria uma forma de Aguiar esconder o fato de que foi negligente com o patrimônio pelo qual deveria zelar.

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Pelas bocas de Aguiar e de Smith, a história ganha outros tons. “Se o vinho estivesse deteriorado, não venderia”, afirma o gestor da massa falida. “Ferreira não está conseguindo reverter decisões judiciais e quer me espinafrar pela imprensa. O que posso fazer?”.

O especialista em vinhos, por sua vez, diz que das 1192 garrafas que avaliou, menos de 15 garrafas apresentam problemas de conservação. E que o problema não foi necessariamente causado após a saída de Ferreira da casa. Em alguns casos, trata-se de rolhas com décadas, que se deterioraram naturalmente e já deveriam ter sido trocadas. Há o caso de uma garrafa com duas rolhas. Porém, na maior parte dos casos, o vinho permanece em perfeito estado, afirma Smith. Segundo ele, além disso, a adega é bem protegida do sol e, nos cinco dias em que levou para avaliar o lote, o ar-condicionado esteve sempre ligado.

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Ao ser confrontado com a informação do número de garrafas com problemas, em uma segunda ligação, Cid Ferreira diz que o que vale é o que o perito escreveu, não o que disse: "não posso dizer quantas garrafas estão deterioradas, porque não entro lá há dois anos".

Para estabelecer o valor do lote, Smith afirma que se baseou no preço de sites de nacionais e internacionais, levando em conta ainda o fato de que os vinhos seriam vendidos em leilão.

Renato Moises, leiloeiro oficial do Superbid, site através do qual os vinhos serão vendidos, diz que trata-se de um leilão determinado pela justiça e que espera que a coleção de vinhos montada por Cid Ferreira supere o preço inicial de R$ 431,2 mil. Mas não crê que chegue ao valor de R$ 2 milhões, que o ex-banqueiro diz que valeria. De qualquer forma, caso o valor não seja alcançado, haverá uma segunda oferta, de 25 de outubro a 15 de novembro.

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