Falta analista para avaliar papel de empresas na bolsa

Das 455 listadas, só 171 são cobertas por 10 instituições e poucas são “smal caps”

Marília Almeida - Brasil Econômico |

A cobertura de empresas de capital aberto no Brasil deixa a desejar, tanto em número de profissionais, quanto em companhia na mira dos analistas.Cobertura é o nome dado ao acompanhamento dos negócios, finanças e projeções, com recomendações de compra e venda das ações.

Das 455 empresas listadas, apenas 171 companhias são cobertas por dez instituições, que representam 42% dos relatórios recebidos pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Dentre as vinte ações cobertas por todas elas, apenas cinco fazem parte do índice de small caps da bolsa.

O BTG Pactual cobre 130 companhias e, o Citi, 68, respectivamente a maior e menor cobertura das instituições. As "queridinhas" dos analistas são 21 companhias, entre elas Petrobras, Cemig e Vale, que têm como característica a alta liquidez.

Além disso, desde 2010 o número de analistas habilitados para assinar relatórios caiu 24%, de 940 para 715.

Entre os motivos está a dificuldade financeira pela qual passam as corretoras no país, que resultou em fusões que provocaram redução de equipes; além da Instrução 483, criada em 2010 e que tornou obrigatória a educação continuada dos profissionais.

Esses impactos foram potencializados pelo mau momento pelo qual passou o mercado de renda variável no período. “Temos casos de equipe de 20 analistas ser reduzida pela metade. Cada analista passa a cobrir dez empresas e ficam todos sobrecarregados”, diz Vinícius Corrêa e Sá, superintendente de supervisão do analista da Apimec. “O número de profissionais deveria ser no mínimo o dobro.”

A área de análise tem relevância quando o objetivo é aumentar a liquidez das empresas listadas na bolsa. O levantamento serviu para embasar um convênio da Apimec com a BM&FBovespa, que remunera relatórios de empresas com menor liquidez e que não são cobertas.

Lacuna

Desde abril, apenas a Nutriplant se interessou pelo incentivo. “Há uma resistência à cobertura quando a empresa ainda não está madura. Além disso, o ‘curto prazismo’ impera entre os gestores, que preferem papéis líquidos. Isso tende a mudar em um cenário com mais investidores pessoas físicas, juros baixos, crescimento das empresas e melhora da bolsa”, diz Sá.

Há quem já esteja se preparando para isso, com o objetivo de se diferenciar no mercado. É o caso da corretora Fator, que passou a cobrir esta semana apenas empresas de pequeno e médio porte, com valor inferior a R$ 10 bilhões e sejam cobertas por menos de dez casas. O objetivo é aumentar a receita da área em 40% até 2013. Três empresas já procuraram a gestora. “Existe uma lacuna que precisa ser preenchida”, diz Rogelio Gonzalez, diretor da corretora.

A Fator também busca maior qualidade em seus relatórios. Ao mesmo tempo em que irá diminuir o número de empresas cobertas de 131 para 70, pretende dobrar o tamanho de sua equipe de seis analistas. “Ao valorizar o produto, consigo cobrar por ele”.

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