Governo faz pouco para perseguir a meta da inflação, diz economista-chefe do BES

Para Jankiel Santos, a complacência do governo é preocupante, o Banco Central vem demonstrando falta de rigor na busca pelo cumprimento da meta inflacionária

Carla Falcão , iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

O Brasil abandonou o rigor com o controle da inflação, disse o economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, Jankiel Santos. Em evento realizado nesta terça-feira, 2, no Rio de Janeiro , o executivo do BES foi enfático ao destacar que o o Banco Central e o Ministério da Fazendo pouco estão fazendo para perseguir a meta da inflação.

“Existe hoje uma complacência do governo em relação à inflação que nos preocupa muito. O País tem uma meta que não cumpre, o que leva as pessoas a trabalharem com patamares cada vez mais elevados. Isso é especialmente ruim se considerarmos o nosso histórico recente de hiperinflação”, disse o economista.

Para Santos, houve um abrandamento nos esforços empreendidos pelo governo para a manutenção do tripé da política econômica brasileira, composto por meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. “Há uma busca pelo controle da inflação, mas esse comprometimento não é mais tão ferrenho com a meta”.

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Na opinião do economista, 2013 será a “hora da verdade”, quando o País terá a reversão do gap entre as projeções do Banco Central e as apostas do mercado para a inflação. “O mercado diz que (a inflação) vai ficar acima da meta e o Banco Central insiste que haverá uma convergência para baixo. No ano que vem, vamos descobrir quem estava certo”, diz Santos, que projeta um IPCA de 5,8% em 2013, recuando para 5,4% em 2014. Para este ano, o BES aposta numa taxa de 5,3%.

Não por acaso, o BES prevê uma taxa de juros de 7,5% para 2012 e de 9% para 2013 e 2014. Segundo Santos, à medida que a inflação começar a subir no primeiro semestre do ano que vem, o Bacen será obrigado a rever a taxa Selic.

“Não será nada interessante para o governo se a inflação seguir se afastando da meta a partir do segundo semestre de 2013. Sobretudo, se consideramos que 2014 é um ano de eleições. Por isso, apostamos em uma elevação da taxa básica de juros”, afirma.

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O BES estima ainda que o crescimento real do PIB seja de 4,5% em 2013, resultado justificado, em grande parte pela base de comparação com o PIB de 2012, que o banco projeta em 1,7%. O que deve acontecer no ano que vem, explica Santos, é algo muito semelhante ao que ocorreu em 2010, depois do péssimo resultado do PIB em 2009. O banco trabalha com uma previsão de câmbio a R$ 1,95 até o final do ano e de R$ 1,90 para 2013 e também para 2014.

No que diz respeito ao cenário internacional, Santos revela que não teme uma grave recessão da economia norte-americana, para a qual estima um PIB entre 1,5% e 2%. Esse crescimento, avalia, não é maravilhoso, mas é muito melhor do que o esperado pelo mercado no início da crise. Em relação à Europa, ele avalia que os países finalmente deixaram para trás a fase de negar a existência da crise para assumir a necessidade de mudanças e ajustes profundos na economia, esforço que está sendo valorizado pela União Europeia com pacotes de ajuda.

“Meus temores são ainda menores quando se trata da China, que ainda está longe de apresentar uma taxa de crescimento que gere recessão no mundo. Nossa aposta é de que o PIB chinês fique em torno de 7,5% a 8,5%, patamar que é capaz de sustentar o preço das commodities”, diz.

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