Juros futuros recuam, apesar de exterior melhor

Taxas cedem mesmo com esboço de avanço na indústria dos EUA

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A despeito da melhora vista nesta segunda-feira no ambiente de negócios externo e local, em virtude do avanço de alguns dados de atividade, as taxas futuras de juros curtas e intermediárias seguiram em queda. O entendimento é que o governo, pelas recentes declarações, usará todas as armas possíveis para evitar ou minimizar um aumento da taxa básica em 2013.

Além disso, a visão do Banco Central sobre convergência não linear da inflação faz com que os investidores relevem parte da pressão atual de preços mostrada pelos índices de preços. Em meio a isso, enquanto o mercado aguarda o resultado da produção industrial de agosto, a ser divulgada na terça-feira, segue a divisão entre a manutenção da Selic em 7,50% na próxima semana ou redução de 0,25 ponto porcentual, para 7,25%.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (217.785 contratos) estava em 7,25%, de 7,26% no ajuste. A taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (233.340 contratos) marcava 7,67%, ante 7,71% na sexta-feira. Entre os longos, o fechamento foi lateral, sustentado pelo exterior melhor. O DI janeiro de 2017 (55.970 contratos) indicava 9,04%, de 9,06%. O DI janeiro de 2021, com giro de 3.460 contratos, apontava 9,70%, ante 9,71% no ajuste.

Mais cedo, o Banco Central informou em seu boletim Focus que a mediana das expectativas para a taxa Selic em 2013 caiu de 8,25% para 8,00%. Para o fim de 2012, a projeção para a Selic seguiu em 7,50%, o que indica os juros no patamar atual. A queda vista na taxa de juro futuro para janeiro de 2014 reflete esse entendimento de um aperto monetário mais comedido no próximo ano. No entanto, os investidores em juros ainda não se convenceram totalmente de que o ciclo de queda da Selic chegou ao fim.

Ainda de acordo com a pesquisa Focus, o mercado financeiro elevou a projeção de inflação medida pelo IPCA em 2012, de 5,35% para 5,36%. Para 2013, a projeção para o IPCA caiu de 5,50% para 5,48%, ante 5,51% quatro semanas atrás. E o comportamento atual dos preços segue altista. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o IPC-S terminou setembro com alta de 0,54%, ante 0,44% em agosto. O coordenador do IPC-S, Paulo Picchetti, afirmou que o índice deve subir 0,50% em outubro.

Mas o governo continua tentando evitar avanços mais significativos dos preços. Um exemplo foi a decisão anunciada na sexta-feira pela Receita Federal, de adiar e espaçar uma alta da carga tributária que incidirá sobre a indústria de cervejas. A majoração da base de cálculo do IPI, PIS e Cofins em 25% para o setor será totalmente incorporada em seis anos - e não em quatro, como previsto anteriormente. Além disso, o início do pagamento maior de tributos foi adiado para 1º de abril, ao invés de começar hoje.

Enquanto isso, no âmbito da atividade, o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Brasil, indicador que mede as condições operacionais da indústria, subiu para 49,8 em setembro, de 49,3 pontos em agosto, informou o HSBC. O nível ainda sinaliza contração, já que permanece abaixo de 50 pontos. No exterior, indicadores semelhantes mostraram alguma melhora em diversos países. No mais relevante para os negócios, o PMI dos EUA, medido pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM, em inglês), subiu para 51,5 em setembro, de 49,6 em agosto, contrariando as previsões de leve queda para 49,5.

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