A dois anos de se aposentar da presidência, o executivo — que não fala do assunto — tem dado cada vez mais espaço para o vice Márcio Schettini

Roberto Setubal, presidente do Itaú
AE
Roberto Setubal, presidente do Itaú

Pouco mais de dois anos separam Roberto Setubal da saída da presidência do maior banco privado brasileiro, o Itaú. Com 57 anos, o executivo, que assumiu o posto em 1994, precisa se aposentar com 60, segundo manda o novo estatuto da instituição, modificado após a compra do Unibanco, em 2008. Oficialmente, pouco se fala do assunto.

Mas o executivo delegou a Márcio Schettini, um dos seis dos dez vice-presidentes do Itaú oriundos dos quadros do Unibanco, papel de protagonista nesta semana, durante pronunciamento sobre a operação de fechamento de capital da sua controlada, a operadora de cartões Redecard, e no anúncio da redução à metade das taxas de juros dos seus cartões de crédito. Schettini, 48 anos, foi promovido à vice-presidente em 2009. Responsável pelo banco de varejo e todas as áreas afins — o core business do banco — tem longa e bem sucedida carreira no mercado financeiro, especialmente no de cartões de crédito.

Seu estilo de liderança e decisão seria, na opinião de fontes próximas a ambos, um dos que mais se assemelha ao do próprio Setubal: firme, pragmático, orientado a resultados. “Vamos acelerar a evolução do mercado, aproximando o relacionamento com os lojistas e oferecendo novas possibilidades de negócios e serviços para os clientes”, disse Schettini referindo-se ao fechamento de capital da Redecard, da qual é presidente do conselho, na segunda.

Procurado, o banco informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que não comenta o assunto sucessório. Anteontem, Setubal havia declarado que, mesmo fora da presidência, como um dos principais acionistas, “continuarei a acompanhar os negócios do banco”.

Setubal, que tem duas filhas do seu primeiro casamento, teria sido aconselhado a indicar o filho da principal acionista do banco, Milu Villela, Ricardo Villela Marino, para substituí-lo. Com 38 anos, em 2010 subiu ao posto de vice-presidente de negócios internacionais.

Há quem diga que é difícil de acreditar que Marino, embora venha sendo preparado para a função há alguns anos, tenha atingido os elevados padrões de exigência de Setubal. Sua saída da área de recursos humanos do banco para a internacional, que representa nem 10% dos negócios do Itaú, no entanto, pode fazer parte de um “rodízio”.

Por outro lado, é difícil imaginar que o presidente que levou o banco ao segundo no ranking geral por ativos no Brasil (perdendo apenas para o Banco do Brasil) decida enfrentar o outro lado da família — os Villela são “primos” dos Setubal — e deixar o principal cargo do banco a um executivo, por mais competente que seja, de fora do clã. Além disso, a isntituição, que semrpe foi familiar, tem há quatro anos uma terceira família acionista, os MOreira Salles. O ex-presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles, também se aproxima dos 50 anos e seu filho mais velho ainda é jovem para o posto.

Tutor ou conselheiro

Neste caso, Schettini pode funcionar como uma espécie de tutor ou conselheiro de Marino — ou, no mínimo, como “ouvidos e olhos” de Setubal dentro da instituição. Em outras palavras, Schettini pode não substituir Setubal, mas exercer um papel estratégico como o de Antonio Jacinto Matias. O executivo, braço direito dos Setubal por mais de 20 anos, se aposentou do cargo executivo (era vice-presidente de marketing e outras sete áreas) mas continua por perto. Desde 2010, é vice-presidente da Fundação Itaú Social.

Durante o período à frente da presidência do banco, Roberto Setubal — que é filho de Olavo, por sua vez, sobrinho do fundador Alfredo Egydio de Souza Aranha — consolidou os negócios com uma série de aquisições. A maior delas foi a do Unibanco, em 2008. Desde então, o valor de mercado do banco na bolsa cresceu 40%, de R$ 97 bilhões para R$ 136 bilhões.


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