Pessimismo no exterior leva Bovespa a abrir em baixa

Após o início das negociações no pregão, o Ibovespa à vista recuava 0,35%, aos 61.102 pontos

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O ambiente de maior nervosismo no exterior coloca a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em trajetória de queda, pelo menos na abertura dos negócios. Dados ruins da Alemanha e preocupações com a Europa e com a desaceleração chinesa colocam os principais índices europeus e os futuros americanos em baixa, o que se reflete no Brasil. Localmente, o leilão de fechamento de capital da Redecard, marcado para a tarde, vai elevar o volume de negócios na Bolsa, mas não deve ter força para influenciar de forma decisiva o Ibovespa.

Às 10h08 (horário de Brasília), o Ibovespa à vista recuava 0,35%, aos 61.102 pontos. Mais tarde, virou e, às 10h20, subia 0,09%, aos 61.376,23 pontos. Em Nova York, o S&P futuro caía 0,41% e o Nasdaq futuro tinha baixa de 0,76%. Na Europa, onde os índices à vista já operam, Londres caía 0,56%, Paris recuava 1,13%, Frankfurt tinha baixa de 0,72%, Madri caía 1,47% e Milão cedia 1,27%.

"Hoje o mercado está todo mais fraco no exterior e a gente vai ter, pelo menos na abertura, um Ibovespa mais fraco", comentou o economista-chefe da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira. Segundo ele, os dados ruins da Alemanha e as preocupações com a periferia europeia e a China justificam o pessimismo.

Na manhã desta segunda-feira, o Instituto IFO anunciou que o índice de confiança das empresas da Alemanha caiu de 102,3 em agosto para 101,4 em setembro, no quinto mês seguido de recuo. Analistas esperavam que o indicador ficasse estável. O resultado, que trouxe pressão de baixa para os ativos de maior risco, somou-se aos receios com a Espanha, que reluta em pedir ajuda, e com a Grécia, que prepara um plano de corte de gastos.

A revista alemã Der Spiegel informou que o rombo nas contas gregas pode ser maior que o previsto. Segundo reportagem desta semana, a Grécia enfrenta um déficit de cerca de 20 bilhões de euros no orçamento, quase o dobro da estimativa anterior. O governo grego negou os números e disse que o déficit orçamentário no país está em 13,5 bilhões de euros.

A China também segue preocupando. No fim de semana, um conselheiro do Banco do Povo da China (PBOC, o banco central chinês), Song Guoqing, afirmou que a economia do país ainda não mostrou quaisquer sinais de recuperação no terceiro trimestre e que o investimento doméstico não deverá se expandir dramaticamente no curto prazo, devido ao ritmo moderado dos empréstimos e do gasto fiscal.

Os receios com a atividade na China e na Europa colocam os contratos futuros de petróleo em baixa nesta manhã, tanto em Nova York quanto em Londres. "A Petrobras deve recuar, porque o petróleo está caindo forte, mais de 1% lá fora", comentou Bandeira.

Às 16h desta segunda-feira, ocorre o leilão para fechamento de capital da Redecard. A expectativa é de que o Itaú Unibanco consiga fechar o capital da empresa, especializada no credenciamento de lojistas e na captura de transações para bandeira de cartões. O banco tem 50% da Redecard e vai desembolsar cerca de R$ 12 bilhões para adquirir o restante dos papéis. O preço de compra foi fixado em R$ 35.

Embora movimente os negócios, o leilão não deve influenciar de forma decisiva o Ibovespa, já que a participação do papel da Redecard (cerca de 1,3%) é reduzida na carteira do índice. Relatório encaminhado nesta segunda-feira a clientes pela equipe da Um Investimentos calcula que, se romper a região dos 62 mil pontos, o Ibovespa tem resistência nos 63.900 pontos. Do lado da baixa, o primeiro suporte está próximo dos 59.500 pontos.

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