Souza Cruz dispara quase 22% no ano

Apesar das inúmeras campanhas contra o tabaco, a empresa supera o Ibovespa em 2012, que acumula alta de 8,69%

Marília Almeida e Priscila Dadona - Brasil Econômico |

Apesar das ostensivas campanhas de saúde contra o cigarro, a representante brasileira do segmento na bolsa, a Souza Cruz, vai bem, obrigado. Enquanto o Ibovespa sobe 8,69% no ano, os papéis da empresa disparam 21,5% no período, até ontem.

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, trata-se de uma ação bastante conservadora, boa pagadora de dividendos e que em momentos de aversão a risco é vista como porto seguro. “Não é uma pechincha mas tem fluxo de caixa previsível”, afirma um analista da XP.

A analista Sandra Peres, da corretora Coinvalores, recomenda compra para o papel para investidores com perfil defensivo. O preço-alvo para a ação na corretora é de R$ 31, um potencial de ganho em torno de 15%. “A expansão da renda dos consumidores brasileiros deve ajudar a empresa a continuar mantendo resultados positivos, mesmo em um cenário de desaceleração da atividade econômica”, afirma.

O volume negociado das ações da Souza Cruz atingiu R$ 4 bilhões no primeiro semestre do ano, um aumento de 94% em comparação com o mesmo período do ano anterior, após o desdobramento de ações, realizado em março de 2011. Segundo Jurema Mellone, gerente de relação com investidores da companhia, o valor é o resultado da pulverização das ações. “O desdobramento provocou aumento de liquidez”, disse, em reunião para investidores.

Os números qualificaram a companhia para fazer parte do Ibrx-50, que reúne as 50 ações mais negociadas na BM&FBovespa em termos de liquidez, e do Índice de Carbono.

O número de ações negociadas passou de 78 milhões no primeiro semestre do ano passado para 167 milhões no primeiro semestre deste ano, enquanto o número de negócios evoluiu de 247 mil para 562 mil no período.

A companhia quer aumentar o interesse de investidores estrangeiros e pessoas físicas pelo papel, que, de R$ 80, passou a ser cotado a R$ 16. Hoje, 7% da base acionária da companhia é composta por pessoas físicas, e 16% por investidores estrangeiros.

Um dos atrativos, segundo Jurema, são boas práticas na área de governança corporativa, proatividade junto a órgãos reguladores e de mercado. “Hoje estamos listados no mercado tradicional, não estamos no Novo Mercado. Mas nos qualificaríamos para todos os quesitos exigidos, exceto pelo nível de free float", diz Jurema.

A ação da Souza Cruz também tem uma forte característica defensiva, devido à agressiva política de dividendos da companhia. Em 2011, 96% do lucro líquido foi distribuído aos acionistas da empresa na forma de dividendos, cujos valores são corrigidos pela empresa. Essa política, aponta Jurema, não deve ser modificada, mesmo diante de um cenário de possibilidade de novas medidas governamentais para aumentar a carga tributária sobre o cigarro. “Queremos crescer em valor e continuar remunerando acionistas.”

O último aumento de impostos ocorreu em maio, e houve um repasse de cerca de 20% no preço dos produtos da companhia. A queda do volume de vendas , em grande parte pelo aumento do contrabando (o cigarro paga 64% de imposto) foi compensada pelo crescimento das vendas de produtos com maior valor agregado, as marcas premium Dunhill, Lucky Strike e Free, bem como um aumento da exportação de fumo no segundo trimestre do ano, incentivado pela valorização do câmbio. A empresa encerrou o semestre com aumento de 7% do lucro líquido, que atingiu R$ 841,9 milhões.

“A estratégia de apostar em produtos com volume menor de vendas e preço maior dá resultado”, afirma a equipe da XP Investimentos.

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