Juros curtos sobem com ideia de Selic estável em outubro

Às 9h48, o contrato para janeiro de 2013 indicava 7,31%, de 7,29% no ajuste de sexta-feira; contrato para janeiro de 2014 subia a 7,81%, de 7,78% na sexta-feira

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A redução dos compulsórios bancários e as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a manutenção da Selic em 2013 reforçam a expectativa de que o juro básico continuará em 7,5% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro e garantem abertura em alta das taxas de juros, especialmente nos vencimentos curtos.

Às 9h48, o contrato para janeiro de 2013 indicava 7,31%, de 7,29% no ajuste de sexta-feira. O contrato para janeiro de 2014 subia a 7,81%, de 7,78% na sexta-feira.

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"Em princípio, os sinais de ampliação da isenção fiscal (política fiscal expansionista) e maior expansão da liquidez na área monetária, mesmo que não tão significativa, com a redução dos compulsórios, tendem a dar mais força à tese de manutenção da Selic em outubro em 7,5%", comentou o economista-chefe da Planner Prosper Investimentos, Eduardo Velho.

Em relatório, a LCA Consultores também acredita que as declarações do ministro e a mudança do compulsório justificam a manutenção da Selic em 7,5% em outubro.

Nas taxas longas, o exterior tenso tende a justificar uma devolução da alta da semana passada. Mas o limitador para a queda continua sendo a desconfiança sobre o rumo da inflação no próximo ano, quando a economia estará sob os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento e da hiperatividade do governo.

Além disso, as declarações de Mantega mostram que o governo seguirá disposto a segurar o câmbio, abrindo mão do benefício que o real mais valorizado poderia trazer para controlar a inflação se as commodities permanecerem em alta no exterior. No contrato para janeiro de 2021, a taxa saiu de 9,92%, nivelada ao ajuste de sexta-feira.

Em entrevista ao grupo O Estado de S. Paulo, Mantega disse estar seguro de que os preços vão se manter sob controle no ano que vem, apesar da recuperação da economia. E afirmou que "não há necessidade de alta de juros". O ministro da Fazenda foi assertivo ao afirmar que o governo agirá para impedir a valorização do real frente ao dólar e que se for necessário poderá adotar novas medidas.

Para não ampliar os riscos inflacionários que levariam a uma reversão da queda da Selic em 2013, o mercado acredita que o BC não deve empurrar ainda mais a taxa para baixo agora, especialmente em um momento de renovada apreensão com a inflação e também com a solidez dos bancos de pequeno porte, que têm um ambiente de captação mais difícil com taxas de juros mais baixas.

Na sexta-feira, o Banco Central anunciou a redução dos recolhimentos compulsórios que os bancos são obrigados a fazer sobre os depósitos à vista e a prazo, o que deve injetar cerca de R$ 30 bilhões na economia nos próximos meses. As medidas foram anunciadas no final da tarde de sexta-feira, após o BC confirmar a intervenção em duas instituições financeiras, o Cruzeiro do Sul e o Prosper.

Segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, a medida vai impulsionar o consumo e ajudar a reduzir o juro ao consumidor, ao diminuir o chamado spread bancário - a diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra no empréstimo.

Para analistas, as medidas tem o intuito de fortalecer o capital de bancos médios e podem criar um efeito adverso, ao ampliar a apreensão sobre risco, o que não condiz com o propósito de redução dos spreads bancários.

Nos dados de inflação do dia, os índices de preços ao consumidor mostram que o varejo está encontrando um pouco mais de espaço para repassar preços que vinham pressionados no atacado. No IGP-10 de setembro, o IPC-10 apresentou avanço de 0,42% em setembro, em comparação com a alta de 0,29% no mês passado.

No outro dado divulgado hoje pela FGV, o Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) acelerou para 0,49% na segunda quadrissemana de setembro, ante alta de 0,44% no período anterior, encerrado no dia 7.

Mas a inflação medida pelo IGP-10 de setembro desacelerou a alta para 1,05%, após avançar 1,59% em agosto, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado, que reflete o movimento dos preços do dia 11 de agosto a 10 de setembro, ficou colado à mediana calculada pelo AE Projeções (1,00%).

No caso dos três indicadores que compõem ao IGP-10, o IPA-10 desacelerou a alta para 1,40% este mês, após subir 2,21% em agosto, o que endossa a visão de que o ápice das pressões no atacado pode ter ficado para trás. Mas a pulverização de liquidez pelo Federal Reserve na semana passada já conduziu nova alta nas commodities que têm seus preços cotados em dólares.

No exterior, a Índia também mexeu em seu compulsório bancário, enquanto decidiu manter a taxa básica inalterada diante das pressões inflacionárias locais. A taxa de recompra permaneceu em 8,0% e a reserva compulsória dos bancos diminuiu para 4,50%, de 4,75%, com efeito a partir de 22 de setembro.

O uso de instrumentos alternativos de política monetária está novamente em voga em países que enfrentam uma inflação diferente das taxas de cerca de 2% dos EUA e Europa e da deflação no Japão.

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