Bancos internacionais voltam a emprestar mais para o Brasil

Alta foi de 4,1% no primeiro trimestre deste ano; na AL de 2,8%, ante queda de 2,4% no trimestre anterior

Ana Paula Ribeiro - Brasil Econômico |

Os bancos com atuação internacional voltaram a mostrar mais apetite para a concessão de empréstimos após uma forte retração no final do ano passado. O aumento ocorre principalmente junto a tomadores de países emergentes, em detrimento daqueles de economias mais avançadas, segundo levantamento do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), que é uma espécie de Banco Central dos BCs. “A mais recente expansão nos empréstimos ao exterior foi impulsionado principalmente pelo crédito a empresas, que registrou o maior valor desde o início de 2011”, segundo o relatório.

Os dados do estudo BIS deixam claro onde estão os ganhos maiores devido ao descompasso entre o crescimento da exposição entre as diferentes regiões. Entre as economias avançadas, houve um incremento de US$ 50 bilhões nos empréstimos no primeiro trimestre do ano, avanço de 0,2% em relação ao trimestre. Já entre os emergentes, a elevação foi de 2,8%, um acréscimo de US$ 86 bilhões no mesmo período — no quarto trimestre, foi registrado um decréscimo de 2,4% (US$ 77 bilhões). SOmente para o Brasil, aumento foi de 4,1%.

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Apesar do maior ritmo nas operações com os emergentes, o economista chefe do Departamento Econômico e Monetário do BIS, Stephen Cecchetti, alerta que essas economias — que também enfrentam desaceleração na atividade — não devem ter fôlego para impulsionar o crescimento global como em outras ocasiões. “As economias dos mercados emergentes não vão apoiar o crescimento global tanto quanto nos últimos anos”, afirmou.

Na América Latina, o aumento dos empréstimos para a região foi de US$ 16 bilhões, expansão de 2,6%. O aumento foi puxado por tomadores que estão fora do sistema financeiro. Entre os países, Brasil e México foram os maiores tomadores.

No Brasil, o ritmo de crescimento no primeiro trimestre foi de 4,10%, depois de recuo de 0,12% no período anterior. Mas apesar da recuperação, a expansão ocorre em níveis inferiores às taxas registradas no início do ano passado.

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Embora tenha ocorrido uma maior volatilidade no segundo trimestre, a expectativa de profissionais do setor financeiro é que empréstimos corporativos tenham novo incremento nos últimos meses do ano. 

Uma das razões é que as políticas de flexibilização monetária, que reduziram os ganhos dos títulos soberanos, irão continuar. Com isso, os investidores continuam forçados a buscar oportunidades de ganhos maiores, como o crédito ao setor privado.

Mas para a responsável pelo relacionamento com instituições financeiras do Standard Chartered, Germana Cruz, a recuperação registrada nos primeiros meses do ano ainda está em curso, abrindo espaço para novas operações até o final do ano, embora possa ocorrer em alguns momentos maior volatilidade, com aumento pontual dos preços (spreads). “A expectativa de maior crescimento no final do ano também estimula a maior demanda por linhas internacionais voltadas para o comércio exterior”, afirma.

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De acordo com a executiva, há uma disponibilidade de recursos maior das instituições financeiras estrangeiras para o Brasil, o que deve estimular novas operações. No entanto, algumas modalidades de crédito, como os empréstimos sindicalizados, ficam em uma situação mais difícil, já que é comum a maior participação de bancos europeus, agora receosos com a situação que enfrentam em seus países de origem. Já nos caso de títulos externos, ela lembra que a menor atuação dos europeus está sendo compensada pelos asiáticos.

Para o analista da Lopes & Filho Consultoria, João Augusto Salles, há de fato um maior apetite dos bancos estrangeiros por emprestar mais para clientes nos países emergentes. “No entanto, é um empréstimo mais seletivo”, afirma. Nesse caso, nomes considerados bom risco, como as empresas grau de investimento ou os grandes bancos, teriam fácil acesso a essas linhas internacionais. Para os de riscos maiores, a liquidez será menor.

A avaliação de Salles é que quanto maior a liquidez no exterior, mais confortável fica a situação no mercado interno. “Isso é um círculo virtuoso. É importante, principalmente para os bancos, ter um canal de captação externo relevante”, diz, lembrando que os problemas de liquidez enfrentados pelo sistema bancário em 2008 foram decorrentes do empoçamento da liquidez no exterior.

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