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Jovens e idosos divergem sobre que tipo de controle cambial o Japão deve seguir

Enquanto os mais novos pedem que o governo force uma desvalorização do Iene para ampliar as exportações, idosos pressionam para por uma moeda forte que reduza inflação

The New York Times |

AP
Pessoas fazem fila para comprar iPhone 4 no Japão: de tradicional exportador de produtos de alta tecnologia, país começa a ver volume de importações aumentar na mesma medida que o Iene se valoriza

O Japão tem cedido sua posição dominante em diversos setores da economia mundial que anteriormente levaram esta nação à grandeza econômica. Existem vários fatores que podem ter contribuído para isso. Um desastre nuclear que elevou os custos de energia. A falta de empreendedorismo. A força de trabalho relativamente barata da China.

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Cada vez mais, no entanto, os líderes empresariais apontam para um problema que está, pelo menos parcialmente, dentro do controle do governo: a alta do iene que tornou os produtos japoneses, de televisores a chips de memória, muito caros no exterior.

Como aconteceu nos Estados Unidos na década de 1980, o governo vem enfrentando cada vez mais críticas por não estar fazendo praticamente nada para conter o iene, apesar da alarmante condição da moeda estar afetando o mercado de exportação do país, que já foi bastante forte.

Um dos principais motivos, de acordo com analistas e políticos, é simples: a moeda em alta no Japão beneficia a população idosa que está em rápida expansão, mas afeta outras áreas do país.

ASSOCIATED PRESS/AP
Com Iene forte, produtos estrangeiros ficam mais baratos para os japoneses, o que melhora a qualidade de vida da população idosa, que depende de pensões ou de ajuda dos filhos para sobreviver

Ao acelerar a invasão de produtos importados mais baratos no mercado japonês, o iene está contribuindo para a deflação, aumentando a queda nos preços dos bens e serviços, e assim ajudando os aposentados a esticarem suas pensões e poupanças.

"A tolerância do Japão à alta do iene e à deflação está enraízada numa luta de gerações", disse Yutaka Harada, professor de ciência política e economia da Universidade Waseda em Tóquio. "E por enquanto os aposentados estão ganhando [essa luta]".

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No entanto, essa vitória tem um preço alto, acelerando o esvaziamento da base industrial do Japão à medida que as empresas continuam se mudando para o exterior, agravando uma estagnação econômica de duas décadas.

Na segunda-feira, dia 30 de julho, o governo publicou a versão final de uma nova estratégia econômica que ajudará a romper com o que descreveu como um ciclo vicioso de um iene forte e deflação. Mas embora o aguardado plano consiga identificar o cerne do problema à medida que o envelhecimento da população do Japão e suas proezas de exportação estão em declínio, analistas disseram que a abordagem do governo não leva em consideração os interesses instalados, incluindo os dos idosos, que há muito vêm atrapalhando a mudança fundamental no país.

Shigeru Ono, ex-gerente de uma empresa de petróleo, hoje aposentado, conquistou seguidores ao escrever um blog sobre as virtudes da deflação. Ele consegue assinalar quais são as vantagens do iene forte, incluindo os preços mais baixos para camisas feitas no Vietnã e a televisão de tela plana que comprou recentemente feita na China. Ele também sabe quais são os perigos.

"O iene forte e a deflação tem sido uma benção para nós baby boomers", disse Ono, 62, que vive limitado a sua poupança e uma pensão mensal fixa de 130.000 ienes, cerca de US$ 1.660. "Mas também sei que isso pode ser algo ruim para a geração do meu filho."

O iene supervalorizado reforça a capacidade dos japoneses de comprarem mercadorias estrangeiras e viajar para o exterior, mas continua a corroer os alicerces da economia, prejudicando empresas poderosas como a Toyota até menores como a Kyouwa, fabricante de equipamentos de automação industrial no interior de Seki.

O proprietário Kyouwa de segunda geração, Ryuji Usuda, disse que ele finalmente havia decidido, depois de ter perdido um importante cliente japonês no ano passado para um rival coreano, que não tinha outra escolha a não ser mudar sua linha de produção para uma nova fábrica no Vietnã.

"Muito em breve, nada será mais fabricado no Japão ", disse Usuda, 40, que observou que muitas das fábricas japonesas das quais ele era fornecedor também haviam se mudado para o Sudeste Asiático.

No ano passado, o fluxo de produtos do exterior contribuiu com o primeiro déficit comercial anual do Japão em 31 anos. Diante disso, alguns membros do Parlamento começaram a organizar uma espécie de insurreição política. Mas eles têm feito pouco progresso em termos de mudanças políticas.

"O iene forte rouba a juventude, mas o país ainda não tem muita consciência dessas desigualdades geracionais", disse Keiichiro Asao do Seu Partido, de oposição.

Uma maneira de estimular essa consciência, disseram os críticos, seria permitir a queda do pagamento de pensões nacionais junto com os preços do consumidor, conforme a lei exige. Mas o governo ignorou essa lei durante anos para não perturbar os eleitores idosos.

O ano passado, ele finalmente deu um pequeno passo, ao diminuir um pouco as pensões. O corte de apenas alguns dólares por mês, no entanto, foi o suficiente para fazer com que Ono, o blogueiro, repensasse sobre a questão.

"Hoje eu estou começando a perceber que a deflação também pode ser algo ruim.

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