Despesa dos bancos com proteção contra inadimplentes cresce 37% no semestre
Itau Unibanco, Bradesco e Santander, juntos, tiveram despesas de R$ 24,4 bilhões com provisões para devedores duvidosos de janeiro a junho, segundo a Austin Rating
As despesas dos três maiores bancos privados brasileiros (Itaú Unibanco, Santander e Bradesco) com provisões para devedores duvidosos subiu 37% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o ano passado, segundo levantamento da agência de risco Austin Rating. Juntos, os três tiveram despesas contábeis - ou seja, provisionaram recursos - no total de R$ 24,4 bilhões para se proteger dos calotes esperados no período, bem mais do que os R$ 17,8 bilhões dos primeiros seis meses do ano passado.
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Essas despesas acompanham o nível de inadimplência e foram as vilãs dos resultados dos três bancos de janeiro a junho. Os bancos admitem que têm culpa, ao dizer que a situação atual é consequência da falta de seletividade que tiveram na concessão de crédito, sobretudo no final de 2010 e no início do ano passado, quando as perspectivas eram melhores para a economia brasileira. Só depois que o problema já havia sido criado que decidiram se conter, desacelerar os empréstimos e ser mais seletivos nas concessões.
"Quando exergamos a inadimplência, começamos a mudar, mas leva um período para acabar o ciclo das carteiras de crédito," disse Marcial Portela, presidente do Santander, em conferência com jornalistas. Em outra mostra de reconhecimento da culpa dos bancos para o aumento da inadimplência no Brasil, Portela disse que a situação atual é consequência do endividamento acima do razoável em famílias que não tinham práticas financeiras e passaram a ter. "E os bancos têm parte de responsabilidade nisso pelo aumento da concessão do crédito," reforçou.
Rogério Calderón, diretor de controladoria do Itaú, e Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, também afirmaram que suas instituições concederam crédito sem muitas restrições em períodos anteriores.
Como resultado de tudo isso - e também da queda dos juros e da desaceleração do País -, o Santander viu seu lucro cair 4,3% nos primeiros seis meses do ano, para R$ 3,230 bilhões, e seus gastos com provisões somaram R$ 7,783 bilhões no período. Já o Itaú Unibanco teve uma queda de 5,6% no seu resultado líquido final, para R$ 6,7 bilhões, queda de 5,6%. As despesas com os potenciais inadimplentes subiram de R$ 6,9 bilhões para R$ 9,7 bilhões. O Bradesco, por sua vez, foi exceção e teve lucro levemente superior no semestre, de R$ 5,6 bilhões, 2,5% acima do resultado dos primeiros seis meses de 2011.
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Após o estrago, os bancos estão reduzindo suas projeções de provisões para devedores duvidosos para os próximos trimestres, afirmando que já vêm concedendo crédito com maior seletividade e que o índice de calotes deve cair de agora em diante. Portela, do Santander, disse que o índice de calotes está no pico, e deve baixar de agora em diante. Segundo ele, as carteiras de crédito com "maiores problemas" já estão no final de seus ciclos.
Calderón, do Itaú, por sua vez, disse em teleconferência com jornalistas que o banco também vem substituindo seus créditos de maior risco por carteiras com menor inadimplência e, com isso, pode reduzir suas perspectivas para despesas com inadimplentes para o terceiro e o quarto trimestres deste ano.
O mesmo discurso foi usado por Trabuco, do Bradesco, em teleconferência com jornalistas na segunda-feira. "Essa redução (da inadimplência) pode ter impacto nas despesas com provisões nos próximos trimestres," disse.
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