SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros voltaram a apontar para cima na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). A alta nos vencimentos é atribuída à valorização no preço do dólar, que já subiu mais de 8% desde o começo do mês.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava alta de 0,04 ponto percentual, para 14,82% ao ano. O vencimento janeiro 2011 subiu 0,12 pontos, a 14,55%. Janeiro 2012 se valorizou 0,09 ponto, para 14,25%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 avançou 0,04 ponto, para a 13,46%. Novembro de 2008 aumentou 0,01 ponto, para 13,55%. Dezembro de 2008 também subiu 0,01 ponto, para 13,75%, e o DI para janeiro de 2009 teve alta de 0,01 ponto, fechando a 13,95% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 426.705 contratos, equivalentes a R$ 35,42 bilhões (US$ 20,50 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 171.750 contratos, equivalentes a R$ 14,33 bilhões (US$ 8,29 bilhões).

Os agentes também aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que apresenta na noite da quarta-feira sua decisão sobre a taxa de juros. O consenso aponta para novo reajuste de 0,75 ponto percentual, o que levaria o juro básico para 13,75% ao ano.

Os analistas do banco de investimentos Merrill Lynch concordam com tal visão e acreditam que o reajuste de 0,75 ponto é o mais adequado para atual conjuntura. O banco lembra que apesar da melhora da inflação corrente e da expectativa para os preços no decorrer de 2008, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2009 segue em 5%, acima do centro da meta perseguido pelo BC, que é de 4,5%.

Os economistas da Ativa Corretora também apostam na manutenção do ritmo de alta em 0,75 ponto percentual e argumentam que tal decisão estaria fundamentada nas preocupações do colegiado de que o ritmo de crescimento da economia ainda gera riscos significativos de pressão inflacionária.

Além disso, a Ativa também chama atenção para a recente valorização do dólar, que voltou a ser negociado no patamar de R$ 1,77 hoje, depois de testar mínimas a R$ 1,55. Em uma economia superaquecida, uma desvalorização tem repasses mais fortes, gerando um risco não desprezível dado os movimentos dos últimos dias, apontou a corretora em relatório.

A Ativa ainda ressalva que a melhora recente da inflação não pode ser tomada como tendência. O recuo está muito relacionado ao preço dos alimentos, que foi puxado para baixo em um movimento internacional, enquanto que o preço de serviços aceleraram.

O Banco Real aponta a expectativa de inflação acima da meta em 2009 e a preocupação com um descompasso entre a oferta e a demanda como pontos de preocupação do Banco Central e que justificam mais um reajuste de 0,75 ponto na taxa básica.

Os economistas do Real também estimam que o BC fará outras duas intervenções na taxa básica, mas de 0,5 ponto percentual tanto em outubro quanto em dezembro. Dessa forma, o juro básico fecharia 2008 em 14,75% ao ano.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realizou hoje resgate antecipado de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e a primeira etapa do leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B). Todo o lote de LTN, composto por 1 milhão de letras, foi tomado, movimentando R$ 992 milhões. O leilão de NTN-Bs teve menor aceitação, foram 487 mil notas de 1 milhão colocadas à disposição. Essa operação movimentou R$ 776 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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