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SÃO PAULO - As taxas de juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) por meio dos Depósitos Interbancários (DIs) voltaram a acelerar nesta jornada. Não bastasse a continuidade do cenário de aversão a risco, hoje os agentes ponderam também o aumento da inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP-10) e avaliam que essa aceleração pode ter sido gerada pela alta do dólar.

Como a apreciação da moeda é sempre olhada pelos economistas como um forte componente de pressão inflacionária, os agentes temem que o Banco Central insista na política de aperto monetário para controlar preços, a despeito da tendência de desaceleração econômica gerada pela crise global.

Instantes atrás, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 subia 0,11 ponto percentual, para 14,84%. Janeiro de 2011 tinha aumento de 0,21 ponto, a 15,42%. E janeiro 2012 apontava 15,86%, com valorização de 0,23 ponto.

Na ponta curta, o vencimento de dezembro de 2008 marcava 13,83%, alta de 0,02 ponto. O DI para janeiro de 2009 era negociado a 13,94%, com alta também de 0,02 ponto.

Para Jason Vieira, economista-chefe da corretora UpTrend, a recomposição das taxas nos vencimentos mais próximos pode envolver a piora da inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado -10 (IGP-10), que avançou 0,78% neste mês, depois de ter registrado deflação de 0,42% em setembro. "Já tem uma parte dessa alta que reflete o dólar apreciado", diz, lembrando que essa análise justifica uma correção das apostas de curto prazo do mercado para a política monetária do BC daqui para o final do ano.

Nos vencimentos a partir de 2010, no entanto, prevalece a tensão internacional e a persistência da aversão a risco dos investidores. Os agentes interpretam que aparência empinada da curva de juros de longo prazo mostra que os agentes esperam um cenário bastante preocupante para o futuro.

Lá fora a situação ainda é de desconfiança no setor financeiro e de grande tensão dos agentes ao lidar com dados da economia real. Ainda que ninguém preveja dados de crescimento após o agravamento da crise, em setembro, a análise de dados devolve irracionalidade aos mercados financeiros. Foi o que aconteceu ontem e parece que continua presente no pregão desta quinta-feira.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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