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Mercados: Sadia e Aracruz e instabilidade externa puxam queda da Bolsa

SÃO PAULO - Além da instabilidade externa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também teve que lidar com preocupações com a saúde financeira das empresas depois que a Sadia e Aracruz reportaram perdas com derivativos de câmbio. Ao final da sessão, o Ibovespa apontava queda de 2,02%, aos 50.

Valor Online |

782 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,09 bilhões.

Com esse resultado negativo, o índice encerra a semana com perda acumulada de 4,28%. Em setembro o índice perdeu 8,8% até agora, enquanto em 2008 a baixa fica em 20,5%.

A preocupação com a saúde financeira das empresas, aliada à baixa no preço das commodities, impediu que o Ibovespa acompanhasse a retomada observada no mercado norte-americano, onde o Dow Jones reverteu as perdas do dia encerrando com alta de 1,10%. Já a Nasdaq cedeu 0,15%.

Na avaliação do economista da Gradual Corretora, André Perfeito, apesar das incertezas e do noticiário desencontrado, o pacote de resgate do setor financeiro dos Estados Unidos vai sair.

Em um primeiro momento, diz o economista, a reação será de euforia, e o mercado norte-americano já refletiu isso no final do dia. No segundo momento, os investidores vão descobrir o que é o plano de fato e isso pode resultar em mais instabilidade.

Perfeito também destaca que apesar do assunto dominar os mercados durante toda a semana, ninguém sabe, de forma exata, o teor do plano. A informação que se tem é que são US$ 700 bilhões que podem ser destinados a recompra de títulos podres.

Ainda de acordo com o economista, se cumprir sua função de restabelecer a confiança dos agentes no sistema e financeiro de desempoçar a liquidez que está retida nos bancos, o plano de resgate colocará a economia em movimento, contendo o ritmo de desaceleração da atividade.

Outro assunto que dominou o pregão foram as perdas financeiras da Sadia. A empresa reconheceu um prejuízo financeiro de R$ 760 milhões com contratos futuros e opções de dólar e títulos podres de algumas instituições incluindo o americano Lehman Brothers. O ativo PN da empresa desabou 35,48%, para R$ 6,0, com o terceiro maior volume do dia.

Segundo operador de mercado que prefere não se identificar há um exagero na cobrança quanto ao desempenho da companhia. "Todo exportador trabalha com proteção cambial. A empresa tentou cobrir 200% de suas vendas externas e foi infeliz. Se ele (diretor financeiro) acertasse seria um gênio."
Acompanhando a Sadia, a fabricante de papel e celulose Aracruz também anunciou perdas com operações financeiras no mercado de câmbio, mas ainda não apresentou o tamanho do rombo, alegando não ter segurança para quantificá-lo neste momento. O papel PNB caiu 16,76%, para R$ 7,0.

O caso da Sadia e Aracruz provocou uma série de questionamentos no mercado sobre quem seria a próxima companhia a admitir perdas com instrumentos financeiros.

Pressionadas por analistas e investidores as empresas começam a se pronunciar. PDG Realty, Cosan, Inves Tur, SLC Agrícola, Marfirg, Minerva, Vale, Marcopolo e Klabin divulgaram comunicados negando exposição à variação cambial via derivativos e opções, ou apontando que detêm posições apenas para operações de hedge cambial, sem alavancagem.

Ainda no setor de papel e celulose, o papel PN da VCP, que agora é combinada com a Aracruz, perderam 10,65%, para R$ 31,18. O UBS rebaixou a recomendação para o papel de compra para neutro.

Perdas acentuadas também para os papéis da Vale, que sofreram com rumores, já desmentidos pela empresa, de menores embarques de minério de ferro para a China. O ativo PN recuou 3,71%, para R$ 34,49, enquanto o ON cedeu 3,71%, para R$ 34,49. Ainda entre os carros-chefe, Petrobras PN caiu 1,71%, para R$ 35,43, e CSN ON perdeu 4,65%, para R$ 44,00.

Superando a instabilidade do dia, Cosan ON apresentou valorização de 7,98%, para R$ 14,20, impulsionada por compras no final do pregão. Cesp PNB subiu 6,84%, encerrando a R$ 17,63. E TIM Participações ON e Eletrobrás ON avançaram mais de 4% cada.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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