SÃO PAULO - A redução na inflação oficial durante o mês de junho, conforme apontado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), garantiu mais um dia de baixa para os contratos de juros futuros.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA registrou inflação de 0,74% em junho, contra 0,79% no mês anterior. O índice também marca uma retração sobre o IPCA-15 de junho, que tinha apontado inflação de 0,90%.

O IPCA se soma a outros indicadores que preços que vem mostrando uma redução, mesmo que marginal, nas pressões inflacionárias.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2009 apresentou queda de 0,02 ponto percentual, para 13,39% anuais. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com perda de 0,05 ponto, a 15,15% ao ano, sendo que na mínima chegou a 15,03%. O vencimento janeiro 2011 também teve desvalorização de 0,05 ponto, para 15,34%, e janeiro 2012 fechou estável a 15,20%.

Na ponta curta, agosto de 2008 apresentou com alta de 0,03 ponto, projetando 12,34%. Setembro de 2008 finalizou estável apontando 12,54%, e outubro de 2008 encerrou com alta de 0,02 ponto, a 12,77%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 669.840 contratos, equivalentes a R$ 55,32 bilhões (US$ 34,38 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 363.800 contratos, equivalentes a R$ 29,53 bilhões (US$ 18,35 bilhões).

Na avaliação da Austin Rating, apesar da desaceleração do IPCA cheio, o dado não pode ser visto com alívio. Para a agência de classificação de risco, o atual resultado do índice, bem como o cenário prospectivo para 2008, indicam que o teto da meta de inflação de 2008, fixado em 6,5%, muito provavelmente será superado.

Para a Austin, o cumprimento da meta fica ameaçado mesmo se a autoridade monetária acelerar o passo na alta de juros já na reunião do próximo dia 23. Para a agência, o BC deve ser mais incisivo, subindo a Selic em 0,75 ponto percentual, para tentar trazer as expectativas de inflação para 2009 de volta para o centro da meta.

A Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento (Acrefi) e o Sindicato das Financeiras dos estados do Rio de janeiro e do Espírito Santo (Secif) são partidários de uma ação ainda mais agressiva.

Acho que seria importante pôr um viés de alta na taxa de juros desde já ou mesmo elevar a Selic antes da próxima reunião do Copom. Mas se não acontecer, não creio que o aumento, na próxima reunião do colegiado, seja novamente de 0,5 ponto percentual. O ideal seria um tiro de calibre bem maior - uns dois pontos percentuais de uma vez só - acompanhado de uma elevação do depósito compulsório dos bancos , disse o vice-presidente da Acrefi, José Arthur Assunção, em comunicado.

Para Assunção, a economia brasileira está a um passo de um contágio generalizado de preços. Citando que em 12 meses o IPCA já acumula alta de 6,06%, Assunção acredita que não vai demorar muito para alguém vir a público requerer algum tipo de indexador para preços e salários.

O consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Raffy Vartanian, alerta que mesmo com a redução no IPCA, ainda é cedo para falar que os preços estão em trajetória de baixa.

Vartanian lembra que, em julho, o IPCA deve voltar a se acelerar, pois neste mês o índice reflete o impacto do reajuste dos preços monitorados, que incluem energia e telefonia. Assim, considerando a inflação do primeiro semestre, projeta-se um IPCA de 6,8% para 2008, acima, portanto, do limite da margem do regime de metas para a inflação, disse o professor.

Com um tom mais moderado, a consultoria UpTrend, acredita que caso os índices de inflação sigam a mesma tendência de arrefecimento apontada pelo IPCA de junho, principalmente em alguns alimentos, como carnes, peixes e cereais, a possibilidade de manutenção do ritmo de alta em 0,5 ponto percentual fica maior.

A decisão de juros será tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no próximo dia 23 de julho. Em 2008, a taxa já foi ajustada duas vezes em 0,5 ponto percentual, saindo de 11,25%, para 12,25%.

O Tesouro Nacional realizou hoje leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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