SÃO PAULO - Depois de três pregões de baixa, os contratos de juros futuros voltam a apontar para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O aumento nos prêmios de risco acontece mesmo após a divulgação de outros dois índices de preços apontando moderação na pressão inflacionária. A inclinação nas curvas pode ser atribuída à nova rodada de alta no preço do petróleo, que retomou o patamar de US$ 146 o barril em Nova York.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 subia 0,02 ponto, para 13,41%. O DI para janeiro de 2010 operava com ganho de 0,03 ponto, para 15,18%. Janeiro 2011 registrava valorização de 0,06 ponto, para 15,40%. E janeiro 2012 apontava 15,21%, avanço de 0,01 ponto.

Entre os contratos mais curtos, agosto de 2008 ganhava 0,02 ponto, para 12,36%. O vencimento para setembro de 2008 ampliava 0,03 ponto, para 12,57%. E o DI para outubro de 2008 também valorizava 0,03 ponto, apontando 12,80%.

O sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, comentou que, com os dados de inflação mais tranqüilos, teoricamente, as curvas poderiam fechar novamente, mas a valorização no preço do petróleo fala mais alto. O ambiente para juros melhorou um pouco, mas, infelizmente, o petróleo segura os DIs , notou.

O petróleo passou recentemente a ter grande influência sobre as curvas, pois entre outras coisas, eleva a possibilidade de reajuste de combustíveis no mercado interno. A Petrobras já subiu o preço da gasolina e do diesel esse ano e já existe expectativa de novo reajuste em setembro ou outubro.

Ainda de acordo com Petrassi, as curvas também refletem a cautela dos agentes antes da divulgação do relatório Focus, do Banco Central (BC), na segunda-feira, que deve apontar nova piora nas projeções de inflação para 2008 e 2009.

Pela manhã, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apontou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo foi de 0,77% na primeira prévia de julho, recuando de 0,96% no fim do mês passado.

Diminuição na pressão inflacionária também foi captado pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que caiu para 1,55% na primeiro leitura de julho, saindo de 1,97% em igual período do mês passado.

Os dois indicadores se juntam ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que recuou para 0,74% no mês passado após o 0,79% em maio. Além da redução do índice cheio, Petrassi destaca também a queda no índice de difusão e nos núcleos. Tem alguns analistas que acreditam que o pior da inflação já passou.

Quanto à condução da política monetária, Petrassi avalia que a acomodação da atividade aliada aos dados de inflação menos pressionados deve levar o BC a manter o ritmo de alta da Selic em 0,5 ponto percentual por reunião. Ele (BC) vai manter o ritmo, mas deixa claro que, se precisar, prolonga o ajuste , afirma o gestor, que trabalha com cenário base de taxa de juros em 14,25% no final do ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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