Tamanho do texto

SÃO PAULO - A terça-feira foi marcada pela forte instabilidade nos mercados brasileiros, especialmente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na formação da taxa de câmbio. Os juros futuros mantiveram a tendência de baixa desde o início do pregão.

Pelo segundo dia, o foco dos negócios ficou divido entre commodities, em especial o petróleo, e a crise de crédito que continua assolando o setor financeiro americano. No final do dia, a acentuada baixa do petróleo acabou falando mais alto e chamou os investidores para a ponta compradora em Wall Street, onde o Dow Jones fechou com alta de 1,36% e o Nasdaq ganhou 2,28%.

Em dois dias, o barril de WTI perdeu mais de US$ 9, encerrando a terça-feira a US$ 136,4. A queda de ontem, de US$ 5,33, ou 3,8%, foi a maior perda diária em mais de quatro meses. Segundo os analistas, a baixa está relacionada com o ganho de valor do dólar no mercado internacional e os investidores passando a colocar no preço a menor demanda por energia nos EUA em função do desaquecimento econômico.

Os mais otimistas acreditam que o WTI pode voltar para próximo dos US$ 100 o barril, trazendo consigo outras matérias-primas, mas o momento ainda é de muita cautela. O recuo pode ser apenas uma realização de lucros, tendo em vista que o barril de petróleo acumulava alta de quase 50% em 2008. Teoricamente não há motivo para os investidores voltarem a acreditar na moeda americana, pois a economia segue perdendo força e os bancos ameaçados pela falta de liquidez. Além disso, o retorno real dos títulos da dívida americana continua negativo, o que obriga os investidores a buscar o rendimento em ativos reais.

Por aqui, o Ibovespa seguiu a melhora de humor dos investidores externos e reverteu as perdas do dia apoiado nas ações da Vale e dos bancos. A Petrobras acompanhou o preço da matéria-prima caiu forte pelo segundo dia. Ao final do pregão, o Ibovespa alcançou 59.535 pontos, alta de 0,76%, depois de bater os 57.945 na mínima do dia. O giro financeiro somou R$ 5,35 bilhões.

O dólar começou a sessão em alta, perdeu valor por volta do meio-dia e voltou a subir para fechar com valorização de 0,74%, aos R$ 1,611 na compra e R$ 1,613 na venda. A valorização esteve alinhada com o momento negativo da Bovespa no período da tarde e com a alta do dólar sobre o euro, a libra e o iene.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda subiu 0,78%, a R$ 1,613,5. O volume financeiro foi de US$ 485,75 milhões, montante 72% superior ao registrado na segunda-feira.

Especialistas observaram que a melhor explicação para a queda acentuada nos juros futuros também foi a desvalorização do petróleo, que melhora as perspectivas para a inflação no longo prazo. Mas ainda é cedo para prever que a inflação de commodities irá dar uma trégua.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2009 apresentou queda de 0,09 ponto percentual, para 13,41% anuais. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado, acabou com perda de 0,16 ponto, a 15,20% ao ano. O vencimento de janeiro 2011 também teve desvalorização de 0,16 ponto, para 15,39%, enquanto janeiro 2012 recuou 0,14 ponto, para 15,20%.

Na ponta curta, agosto de 2008 fechou com baixa de 0,01 ponto, projetando 12,31%. Setembro de 2008 perdeu 0,02 ponto percentual, apontando 12,54%, e outubro de 2008 encerrou com queda de 0,06 ponto, a 12,75%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 703.290 contratos, equivalentes a R$ 59,26 bilhões (US$ 36,94 bilhões), montante 34% maior que o registrado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 323.590 contratos, equivalente a R$ 26,19 bilhões (US$ 16,33 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.