SÃO PAULO - Como na quarta-feira, o dia de ontem começou com contorno nada positivo para os mercados brasileiros. As bolsas na Ásia tinham apresentado expressivas perdas, os mercados europeus caíam e os futuros em Nova York recuavam de forma expressiva.

No entanto, a Bolsa de Valores de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu se descolar do negativismo externo e garantiu fechamento acima dos 51 mil pontos. No câmbio, a contínua desvalorização no preço das commodities e movimentos especulativos contra a moeda brasileira impulsionaram a cotação para cima de R$ 1,80.

Os juros futuros repercutiram a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), com alguns vencimentos apontando para baixo, enquanto outros subiram devido à instabilidade externa e o preço do dólar.

Em Wall Street, o recuo de mais de 40% nas ações do Lehman Brothers dominou grande parte do pregão, mas no decorrer do dia a diminuição no preço do petróleo para próximo de US$ 100 o barril de WTI acabou estimulando as compras. No final da sessão, o Dow Jones aumentou 1,46% e o Nasdaq avançou 1,32%.

Na Bovespa, o destaque do dia ficou com a Petrobras, que na noite de quarta-feira anunciou outra grande descoberta na área do pré-sal. O campo de Iara, na Bacia de Santos, tem reservas recuperáveis de 3 bilhões a 4 bilhões de barris de óleo e gás, o que equivale à metade do megacampo de Tupi, que possui de 5 bilhões a 8 bilhões.

O baixo valor do papel, que já era negociado a preços inferiores aos observados quando o pré-sal surgiu no noticiário no fim do ano passado, aliado à nova descoberta estimulou as compras e a ação PN da Petrobras fechou o dia valendo 9,48% mais, a R$ 31,40. O papel ON subiu 10,22%, para R$ 38,70.

Essa forte valorização se juntou à melhora de sentimento externo puxando um ganho de 3,30% para o Ibovespa, que fechou aos 51.270 pontos, com giro financeiro em R$ 5,63 bilhões. As ações da Vale e das siderúrgicas também tiveram acentuada valorização.

No câmbio, a acentuada volatilidade do dia, com a divisa subindo 2,8% logo no começo do pregão, o baixo volume de negócios e a ausência do Banco Central (BC), que pela primeira vez desde outubro não atuou no mercado à vista, aumentaram a percepção de especulação contra a divisa brasileira.

Depois de bater R$ 1,839 na máxima, as compras perderam um pouco de ímpeto, mas o dólar comercial fechou valendo R$ 1,816 na compra e R$ 1,818 na venda, elevação de 1,67%. Tal preço não era registrado desde janeiro deste ano, quando, em um espasmo de alta, a divisa bateu R$ 1,830.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda fechou com acréscimo de 1,51%, encerrando a R$ 1,814. O volume financeiro somou US$ 144,50 milhões, queda de 34% sobre o registrado um dia antes. O giro interbancário somou cerca de US$ 2,5 bilhões.

A não atuação do BC no mercado chamou a atenção na quarta-feira. Alguns especialistas observaram que a ausência indica que a autoridade monetária começa a ficar preocupada como o comportamento da moeda norte-americana, que sobe de forma acentuada. Em pouco mais de um mês, a taxa saiu de mínimas a R$ 1,55 para valores não registrados em mais de oito meses, acima de R$ 1,80.

Os juros futuros requerem explicação segmentada. Os vencimentos curtos, até janeiro de 2009 subiram, se ajustando à alta de 0,75 ponto percentual na Selic, que agora vale 13,75%. Os médios, entre janeiro 2009 e janeiro de 2010, recuaram, refletindo mais a dissidência do colegiado do que a decisão do Copom em si. Na interpretação dos agentes, o placar de 5 a 3 sinaliza que o ciclo de aperto monetário estaria próximo do fim e aumenta a probabilidade de o ajuste de outubro ser de 0,5 ponto. Por fim, os mais longos continuaram subindo assimilando a incerteza externa e o dólar acima de R$ 1,8.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, registrava baixa de 0,07 ponto percentual, para 14,64% ao ano. Em direção contrária, o vencimento janeiro 2011 subiu 0,03 pontos, a 14,38%. Janeiro 2012 se valorizou 0,10 ponto, para 14,14%.

Entre os curtos, o vencimento para outubro de 2008 cresceu 0,08 ponto, para a 13,60%. Novembro de 2008 aumentou 0,06 ponto, para 13,63%. Dezembro de 2008 teve alta de 0,04 ponto para 13,82%, e o DI para janeiro de 2009 acumulou 0,05 ponto, fechando a 14,02% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 924.650 contratos, equivalentes a R$ 77,08 bilhões (US$ 43,16 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 402.600 contratos, equivalentes a R$ 33,67 bilhões (US$ 18,85 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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