SÃO PAULO - Depois de dois pregões de baixa e mínimas não registradas em 12 meses, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou por um pregão de recuperação. Depois de cair mais de 1,8% pela manhã, o Ibovespa fechou o dia com alta de 0,59%, aos 53.638 pontos. O giro financeiro somou R$ 4,59 bilhões.

Segundo o diretor responsável pela área de análises da Petra Personal Trader, Ricardo Binelli, a valorização do índice acompanhou a recuperação no preço das commodities, que ganharam valor no mercado internacional, beneficiando os principais papéis do Ibovespa.

Outro ponto destacado pelo especialista é que a valorização desta terça-feira ocorreu descolada do cenário externo, onde os problemas do setor financeiro e a forte alta da inflação puxaram uma baixa de 1,14% para o Dow Jones, e queda de 1,35% para o Nasdaq. Fazia tempo que a gente não subia com os EUA caindo.

Ainda na avaliação de Binelli, a alta de hoje também evidencia alguma retomada de compra aproveitando o baixo preço dos ativos, mas o volume de negociação pouco expressivo não permite dizer que esse é o início de uma recuperação sustentada para o índice.

Observando com mais atenção a questão das commodities, Binelli acredita que apesar do menor crescimento nos Estados Unidos e outras economias desenvolvidas, os países emergentes vão continuar crescendo e consumindo matérias-primas.

E isso quer dizer que, por mais que haja um fator especulação no preço das commodities, também há uma apertada relação entre oferta e demanda. Por essa razão, explica Binelli, não dá para imaginar que os preços vão continuar caindo.

Os fundamentos são muito favoráveis, mas isso não significa que o mercado terá uma resposta imediata, diz o especialista lembrando que ´mercado` e ´economia` têm suas discrepâncias, mas que no médio prazo essas diferenças tendem a se reduzir.

Ainda de acordo com Binelli, para o investidor que tem horizonte de longo prazo esse é um bom momento para a compra, pois apresenta oportunidades interessantes.

No âmbito corporativo, Petrobras PN encerrou o pregão com alta de 2,99%, para R$ 32,63. Bom desempenho também para Vale PNA, que subiu 1,51%, para R$ 35,43. Contribuindo para a alta, Gerdau PN subiu 0,94%, para R$ 27,70.

Atuando em direção contrária, os bancos voltaram a perder valor, alinhados com seus pares internacionais. Bradesco PN cedeu 0,54%, para R$ 29,16, Itaú PN caiu 0,46%, para R$ 30,24, e as units do Unibanco recuaram 0,31%, para R$ 18,85.

As varejistas ganharam valor depois que o setor foi alvo de comentários positivos por parte de corretoras estrangeiras, que acreditam que a queda na inflação beneficiará as vendas. Lojas Renner ON ganhou 4,31%, para R$ 29,00, e B2W Varejo ON subiu 2,82%, para R$ 57,60.

Na ponta vendedora, Rossi Residencial caiu 5,26%, para R$ 10,80. TAM PN recuou 3,88%, para R$ 32,68, refletindo a alta no preço do petróleo. E Vivo PN perdeu 3,16%, para R$ 7,95.

Fora do índice, o destaque de valorização e volume ficou com as ações da BM & F e da Bovespa Holding. Amanhã, os papéis passam a ser negociados de forma unificada sob o código BVMF3. Hoje, o papel ON da BM & F ganhou 10,99%, para R$ 11,00, e ON da Bovespa subiu 10,24%, para R$ 15,71.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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