SÃO PAULO - Depois de mais uma sessão de acentuada volatilidade, as compras falam mais alto e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) retoma os 51 mil pontos. O Ibovespa, que chegou a cair 2,8% pela manhã, fechou o a quinta-feira com alta de 3,30%, apontando 51.270 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 5,63 bilhões

De acordo com o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, o bom desempenho do dia pode ser credito à acentuada valorização nas ações da Petrobras, que reagiram ao anúncio da nova descoberta na área do pré-sal.

O campo de Iara, na Bacia de Santos, tem reservas recuperáveis de 3 bilhões a 4 bilhões de barris de óleo e gás, o que equivale à metade do megacampo de Tupi, que possui de 5 bilhões a 8 bilhões.

Com a notícia, o papel PN da Petrobras ganhou 9,48%, encerrando aos R$ 31,40, movimentando mais de R$ 1,1 bilhão. O ativo ON da estatal avançou 10,22%, para R$ 38,70.

Ainda de acordo com Marcellino, essa puxada de alta também ressuscitou uma série de opções que tinham virado pó. Algumas séries com exercício a R$ 32 a R$ 34 chegaram a subir de 300% a 500%, hoje.

Segundo ele, além da Petrobras, a melhora de sentimento no mercado externo também contribuiu para as compras.

Depois de um começo de pregão bastante negativo, Dow Jones e Nasdaq mudaram de direção para fechar com o dia com altas de 1,46% e 1,32%, respectivamente.

Na avaliação do especialista, o Ibovespa pode manter o tom positivo até a segunda-feira, quando ocorrerá o vencimento de opções sobre ações. A Bovespa pode se recuperar um pouco mais, mas não podemos falar que é uma melhora, que é início de uma tendência, afirma.

Marcellino fundamenta sua expectativa em uma questão bastante simples, falta dinheiro no mercado. No front interno não existe recurso disponível para investimentos em ações. Fora isso, a disputa com a renda fixa fica cada vez mais difícil, na medida em que o Banco Central dá continuidade ao aperto monetário. Também não existe dinheiro externo disponível, e não haverá fluxo para investimento de risco enquanto não se estabilizar a crise financeira norte-americana. Uma tendência positiva para a bolsa depende bastante de uma melhora na percepção quanto ao cenário norte-americano, diz.

Além dos ativos da Petrobras, os ganhos do dia foram impulsionados pela alta nos papéis da PNA da Vale que subiram 4,11%, para R$ 36,70, forte valorização também para o ativo ON da CSN, que ganhou 7,41%, encerrando a R$ 47,80. Ainda entre as siderúrgicas, Gerdau PN fechou a R$ 25,36, ganho de 4,57%.

Na ponta oposta, BM & FBovespa ON liderou as perdas dentro do índice, caindo 5,71%, para R$ 8,75. Queda acentuada também para o papel ON da Redecard, que fechou a R$ 26,70, baixa de 4,64%, e Gafisa ON, que cedeu 4,26%, para R$ 23,25.

Fora do índice, os recebíveis (BDRs) da Laep, empresa que controla a Parmalat, desabaram 14,08%, valendo R$ 0,61. O papel ON do frigorífico Minerva também perdeu de forma acentuada, caindo 7,31%, para R$ 6,21.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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