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Mercados: Pessimismo persistiu e Bovespa caiu 6,91% na sexta-feira

SÃO PAULO - Em mais um dia de forte pessimismo global, o mercado doméstico sofreu influência externa e fechou prejudicado. A bolsa paulista encerrou no vermelho a sexta-feira na semana passada e já perdeu, desde o início do ano, mais da metade de seu valor.

Valor Online |

O dólar comercial resistiu em alta, mesmo com a insistente atuação do Banco Central (BC) para atender à demanda por moeda.

Remediada a crise financeira lá fora, resta aos analistas e investidores fazer as contas da recessão, o que parece complicado até agora. Os mercados reagem mal e drasticamente aos sinais que confirmam a desaceleração nas economias desenvolvidas e contaminam a já combalida performance da bolsa paulista. A aversão a risco já levou o EMBI+, calculado pelo Banco JP Morgan Chase, aos 668 pontos, alta de 101,81% no mês.

Depois de cair mais de 8% ao longo de sexta-feira, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou com desvalorização de 6,91%, aos 31.481 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,472 bilhões. Na semana, o índice teve perda de 13,51%. No mês de outubro, a baixa da bolsa chegou a 36,45%. No acumulado do ano, a desvalorização é de 50,72%.

O dólar comercial chegou a diminuir o ritmo de alta com os leilões do BC, mas ainda fechou apreciado. Além de colocar US$ 2,457 bilhões em swap cambial, a autoridade monetária fez também dois leilões de venda à vista, com taxa de corte a R$ 2,35 pela manhã e de R$ 2,3040 à tarde. A moeda subiu 0,95%, comprada a R$ 2,3250 e vendida a R$ 2,3270. Na semana, a divisa aumentou 9,76%, teve ganho de 22,22% no mês e de 30,95% no acumulado do ano.

As baixas nos mercados asiáticos e das bolsas européias, bem como dos índices em Nova York, logo cedo já prenunciavam mais um dia de tensão para o mercado brasileiro. A queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no último trimestre foi determinante para justificar as preocupações com a recessão. As montadoras Renault e Peugeot também contribuíram com sinais negativos em balanço e previsões.

A expectativa de recessão nas maiores economias do mundo é tão grande que o petróleo continuou em queda mesmo com o corte de produção anunciado pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Para a bolsa brasileira, onde as ações da Petrobras têm peso de cerca de 18% do índice, é uma variável adicional de perdas. As ações PN da Petrobras fecharam em queda de 10,13% (R$ 20,40) e as ON cederam 10,18% (R$ 24,25).

As ações de bancos não reagem bem desde que o governo anunciou medida preventiva que permite aquisições de bancos privados por estatais, caso seja necessário. O mercado tem medo de que a medida só tenha sido tomada devido à existência de problemas em instituições financeiras, mas nada novo surgiu nesse sentido.

Na sexta-feira, o Unibanco, cujas ações sofreram forte baixa desde então, adiantou a divulgação de seu balanço, anunciou que dobrará seu programa de recompra e afirmou categoricamente que não possui qualquer posição cambial de risco. As units da instituição, que tombaram para o preço mínimo de R$ 7,70, fecharam com queda de 8,69%, a R$ 10,50.

No segmento cambial, a valorização do dólar acompanhou o movimento notado em outras praças internacionais, onde a tendência é de aversão a risco, tendo em vista as previsões de recessão nas principais economias do mundo.

No entendimento dos analistas, assim como aconteceu nos últimos três dias, o medo de recessão nos países desenvolvidos tem promovido uma fuga de investidores estrangeiros de mercados de países emergentes.

A saída desses investidores afeta não só o mercado acionário, mas também as moedas, especialmente a brasileira, que por muito tempo foi favorecida pelo fluxo contínuo positivo de investidores internacionais.

Para Vanderley Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, ainda assim a moeda mostra melhor resposta ao BC desde quinta-feira, quando a autoridade monetária avisou que está disposto a colocar no mercado até US$ 50 bilhões em swap cambial, caso seja necessário.

Se as ferramentas de liquidez evitando movimentos drástico no câmbio, o mesmo não se pode dizer dos contratos de Depósitos Interbancários (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), que continuaram batendo limites de alta na sexta-feira, também sob efeito da aversão a risco.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 subiu 0,85 ponto percentual, a 16,85% ao ano. O vencimento janeiro 2011 fechou a 17,60%, com 1 ponto percentual de valorização. O contrato para janeiro 2012 projetou 17,80% ao ano, ganho de 0,75 ponto. O vencimento para janeiro de 2009, o mais líquido nesta jornada encerrou com taxa a 14,42% ao ano, ampliação de 0,22 ante o pregão anterior.

Para Marcos Forgione, analista de mercados da corretora Hencorp Commcor, as tomadas de decisão no mercado de juros não têm mais lógica. " Os DIs estão fora da realidade " , diz, explicando que o pânico continua dando as cartas no segmento. Muitos agentes comentaram na semana zeragens importantes em juros futuros.

Além disso, Forgione comenta que falta liquidez no mercado. Fora a saída de estrangeiros, muito locais abandonaram o segmento e o que restou de giro em jogo, acaba distorcendo os prêmios. O grande problema, na avaliação de agentes do mercado, é a falta de parâmetros. Mesmo que para o setor financeiro tenha sido alcançado um determinado número de perdas, para a economia real o prejuízo é difícil de ser calculado.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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