SÃO PAULO - O mercado local voltou a abrir sob forte tensão nesta jornada, pressionado por um conjunto de fatores preocupantes. Com mais um pronunciamento sobre o risco de recessão, vindo da Inglaterra, há uma forte baixa nas bolsas internacionais, os preços das commodities estão tombando e a maioria das moedas recua perante o dólar.

Por aqui, a Medida Provisória (MP) que permite estatizações bancárias deixou o mercado alerta. Ainda que sinalize precaução, os investidores atuam como se a decisão fosse tomada, na verdade, para amparar alguma necessidade desse tipo no setor bancário local.

Instantes atrás, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) cedia 5,40%, a 36.934 pontos, com giro financeiro de R$ 1,134 bilhão. Na mínima registrada até o momento, o índice chegou a 36.807 pontos.

No segmento cambial, o dólar comercial opera cotado a R$ 2,36 para a compra e R$ 2,3620 para venda, com elevação de 5,87%. No patamar máximo, a divisa foi vendida a R$ 2,3720. O Banco Central (BC) já veio a mercado oferecer dólares, mas o efeito sobre a valorização da moeda foi praticamente nulo. A taxa de corte da oferta foi de R$ 2,3560.

Analistas de mercado afirmam que a reação de hoje representa "mais do mesmo". Embora todos estejam cientes de que a desaceleração econômica tende a ser um efeito inevitável da crise financeira, cada sinalização ou confirmação nesse sentido tem como efeito um aumento de pessimismo nos investidores.

O presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, reconheceu que o Reino Unido provavelmente entre em recessão devido à atual crise financeira. Ele assegurou que o colapso do banco de investimentos americano Lehman Brothers no dia 15 do mês passado deu início a uma seqüência "extraordinária" e "quase inimaginável" de acontecimentos que culminou com o anúncio de vários planos para recapitalizar bancos de grande parte de países.

O risco de recessão derrubou os preços de commodities, cujas cotações têm forte influência sobre os papéis de empresas brasileiras na bolsa local. Não bastasse isso, os papéis de bancos também recuam após a divulgação da MP do governo, autorizando, caso sejam necessários, que os bancos estatais como a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil estatizem instituições financeiras privadas no país.

Para Flávio Serrano, economista-sênior do BES, a medida é preventiva, mas tem de partida desperta ainda mais cautela nos investidores. tanto assim, que as ações do ON do BB registram neste momento baixa de 7,25%. Ações similares foram tomadas em outros países com bancos em situação crítica, como Estados Unidos e economias da Europa.

"É um apito de mau humor", diz o gesto de uma corretora em São Paulo, que preferiu não ser identificado. Ele afirma, no entanto, que não há uma só razão para a piora de hoje. "Um comentário se soma a outro, os balanços não agradam e tudo acaba justificando as posições de venda", diz.

Há pouco, os papéis PNA da Vale caíam 3,75 (R$ 25,40), e Petrobras PN cedia 5,36% (R$ 23,66).

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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