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Os bancos e mercados financeiros do mundo todo estão na dependência de Washington nesta segunda-feira, à espera da decisão da administração Bush e do Congresso sobre o plano de US$ 700 bilhões de resgate do sistema financeiro dos Estados Unidos, que deve ser divulgado nos próximos dias.

O Grupo dos Sete (G7) apoiou nesta segunda-feira as medidas adotadas pelos EUA para frear a crise financeira, ao anunciar seus membros que estão dispostos a adotar "todas as medidas necessárias para estabilizar o sistema financeiro mundial".

O presidente George W. Bush advertiu nesta segunda-feira aos congressistas americanos que estão resistentes ao plano de resgate financeiro que "não atuar teria amplas conseqüências" para a economia americana.

"Os americanos observam se os democratas e republicanos, o Congresso e a Casa Branca, podem chegar a um consenso para solucionar este problema com a urgência que justifica", indicou Bush em um comunicado.

O anúncio do plano, cujos detalhes devem ser ainda divulgados, provocou uma disparada histórica das Bolsas mundiais nesta sexta-feira, cuja tendência se prolongou nesta segunda-feira nos mercados asiáticos.

Na Europa, porém, as principais Bolsas de Valores fecharam em baixa nesta segunda-feira (Paris em queda de 2,34%; Londres, recuo de 1,41% e Frankfurt perda de 1,32%.

A crise financeira se alastrou para o terreno político nos Estados Unidos no fim de semana, com o início das negociações entre o governo e o Congresso controlado pelos democratas.

Em plena campanha eleitoral, republicanos e democratas devem alcançar rapidamente um acordo para aprovar o plano do secretário do Tesouro, Henry Paulson, quando as divergências já aparecem.

Os democratas gostariam que o plano não se limitasse ao setor bancários, mas que incluísse as famílias que foram vítimas da crise do crédito de alto risco (subprime). Também querem incluir as medidas de reativação econômica que haviam proposto a Bush, mas não conseguiram.

Os republicanos preferem um plano concentrado no setor financeiro. "Devemos fazer algo limpo e simples", declarou John Boehner, líder da minoria republicana da Câmara dos Representantes.

O plano de salvamento consistirá em desbloquear fundos públicos para comprar os ativos duvidosos ou "tóxicos" que afetam o balanço dos bancos e semeiam dúvidas sobre a solidez do sistema financeiro.

Grande parte destes papéis está endossada a empréstimos hipotecários concedidos a famílias com pouco ou nenhuma capacidade de solvência, os chamados "subprime".

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, pediu aos outros governos a tomar medidas similares. "Vou pedir a nossos colegas no mundo que considerem programas similares para seus bancos e suas instituições, quando for oportuno", acrescentou.

O presidente americano telefonou por sua vez seu colega chinês, Hu Jintao, que "tomou notas das importantes medidas adotadas pelos Estados Unidos para estabilizar seus mercados financeiros", segundo a agência Nova China.

Há alguns meses os grandes bancos centrais do mundo vêm injetando liquidez nos mercados para tentar amenizar a crise. O Banco da Inglaterra (Boe) ofereceu nesta segunda-feira mais US$ 40 bilhões às instituições bancárias que enfrentam problemas de financiamento por causa da contração do crédito.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) fez o mesmo, ao anunciar pouco depois a injeção de US$ 95 bilhões no sistema bancário por meio de operações de refinanciamento de rotina.

bur-po/lm

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