SÃO PAULO - Apesar da recuperação expressiva das bolsas de Nova York, que tiveram alta de mais de 4%, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em baixa. Analistas locais acreditam que a queda das ações a Petrobras e da Vale impediram a recuperação da bolsa paulista.

Ao mesmo tempo, os investidores estão ainda muito receosos sobre as condições das empresas brasileiras tendo em conta a crise e a apreciação do dólar.

No final do pregão, o Ibovespa apontou desvalorização de 1,06%, aos 36.441 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,523 bilhões. Na mínima do dia, registrada pela manhã, o índice chegou a cair mais de 8%, para 33.752 pontos. Em sessão volátil, o índice experimentou também terrenos positivos e chegou a 37.393 pontos na máxima do dia.

Para Kelly Trentin, analista de investimentos da corretora SLW, o Ibovespa não teve força para inverter por causa da baixa das ações ordinárias e preferenciais da Petrobras que, juntas, respondem por mais de 18% do índice. Foram justamente os papéis da petroleira que lideraram as perdas do dia: Petrobras ON caiu 8,67% (R$ 26,75) e Petrobras PN cedeu 7,50% (R$ 22,20). A baixa foi justificada pela forte queda do petróleo, que fechou cotado abaixo de US$ 70 pela primeira vez em 14 meses.

Além disso, os papéis da Petrobras, assim como os da Vale, são os preferidos de investidores estrangeiros, que continuam zerando posições em mercados emergentes para cobrir prejuízos externos ou realocar recursos em bases mais seguras. Vale PNA perdeu 2,12% (R$ 22,99) e Vale ON cedeu 2,49% (R$ 25).

Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB, acredita também que os investidores continuam muito preocupados com o desempenho das empresas brasileiras de um modo geral. Depois de perdas financeiras divulgadas por Sadia, Aracruz e VCP, devido a posições em derivativos ligados ao dólar, os agentes temem que outras empresas tenham os mesmo problemas, embora ainda não tenham vindo a público informar. "O medo acaba causando um movimento generalizado de aversão que envolve ações de todas as empresas", diz.

Hoje a Klabin divulgou prejuízo R$ 253,14 milhões, afetada por resultados financeiros que fecharam o trimestre em R$ 447,1 milhões negativos. A valorização do dólar ante o real gerou um custo contábil de R$ 381 milhões para a empresa, que tem 50% da sua dívida atrelada à moeda americana. Os agentes já calculavam perdas nesse sentido e as ações da empresa fecharam em baixa de 0,93% (R$ 3,18).

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.