Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercados: Melhora externa e expectativa de juros menores derrubam DIs

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros fecham a terça-feira com acentuada baixa. A melhora de sentimento externo depois do dia negativo de ontem estimulou a devolução de prêmios, conforme cresce a expectativa de que o Banco Central terá que adiantar o encerramento do ciclo de aperto monetário.

Valor Online |

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, apontava queda de 0,24 ponto percentual, a 14,47% ao ano. O vencimento janeiro 2011 teve desvalorização de 0,32 ponto, apontando, 14,33%, e Janeiro 2012 projetava 14,17%, com perda de 0,40 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 fechou com baixa de 0,01 ponto, a 13,60%. Novembro 2008 teve ganho de 0,01 ponto, a 13,63%. Dezembro de 2008 fechou estável a 13,86%, e o DI para janeiro de 2009 encerrou apontando 14,01% ao ano, também sem alteração.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 580.495 contratos, equivalentes a R$ 49,13 bilhões (US$ 25,12 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 242.420 contratos, equivalentes a R$ 20,44 bilhões (US$ 10,45 bilhões).

Segundo o economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria, a queda nos vencimentos futuros aponta que os agentes esperam uma retração tão grande de atividade econômica que o Banco Central não precisará mais utilizar a taxa de juros para conter a atividade e a inflação no mercado interno.

No entanto, o especialista avalia que essa é uma postura um pouco prematura, ainda mais se considerado o discurso recente do Banco Central.

Faria lembra do relatório trimestral de inflação, apresentado ontem, no qual a autoridade monetária discute o efeito ambíguo da crise externa sobre a inflação. Enquanto as commodities apontam para baixo - ponto positivo na dinâmica de preços -, o dólar ganha valor ante o real, o que compromete o comportamento da inflação. De qualquer forma, o BC deixa transparecer que uma piora adicional do humor externo pode colocar pressão de alta no câmbio, ou seja, o agravamento da crise piora a dinâmica inflacionária.

Segundo Faria, isso reforça a idéia de que o Banco Central não poderia usar a política monetária de maneira anticíclica. "Ou seja, o BC vai manter o juro alto ou até mais alto em função da aversão ao risco sobre o dólar", acredita.

Partindo dessa premissa, o especialista aponta que sua previsão segue de mais dois aumentos de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros até o final de 2008. Reforçando essa visão, está o fato de que a economia brasileira deve desacelerar em ritmo bastante lento se comparado com outras economias mundiais. "Mas esse não deixa de ser um momento difícil para definição da política monetária", afirma.

Outra interpretação, também válida para a baixa nos vencimentos longo, segundo o especialista, é a crença de que um novo plano de resgate ao setor financeiro dos Estados Unidos deverá ser aprovado, melhorando a perspectiva futura e evitando, assim, uma política monetária mais restritiva para conter a crise.

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG