SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros sinalizam a crença do mercado de que o ciclo de aperto monetário será mais intenso, porém de menor duração. Tal leitura pode ser obtida pelos vencimentos curtos apontando para cima, enquanto os longos seguem recuando. Esta trajetória é observada desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada em 23 de julho.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, fechou com baixa de 0,08 ponto, a 14,70% ao ano. O vencimento janeiro 2011 perdeu 0,15 ponto, para 14,23%, e janeiro 2012 recuou 0,16 ponto, para 13,83%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para setembro de 2008 teve queda de 0,02 ponto, para 12,86%. Outubro de 2008 subiu 0,01 ponto, para 13,09, e janeiro de 2009 fechou estável a 13,74%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 401.460 contratos, equivalentes a R$ 32,96 bilhões (US$ 21,05 bilhões), montante duas vezes menor que o registrado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 220.520 contratos, equivalentes a R$ 16,68 bilhões (US$ 10,65 bilhões).

Segundo o economista da Geral Asset, Denílson Alencastro, o Banco Central (BC) deve apertar um pouco mais a política monetária agora, atitude em linha com seu próprio discurso. O BC prefere fazer alguma coisa nos estágios iniciais da inflação do que ter que correr atrás depois, afirma.

Segundo Alencastro, tal postura fica clara pelo discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que o Banco Central visa o centro da meta de 4,5% para 2009 e fará o que for necessário por quanto tempo for necessário para a inflação convergir para as metas.

Tal postura incisiva, segundo o economista, cria espaço que se vislumbre um ciclo de aperto monetário mais curto, limitado a 2008. Aliado a isso, a recente melhora nas leituras de inflação no âmbito doméstico e a redução nas pressões das commodities abrem a perspectiva de inflação sobre controle no longo prazo.

Para Alencastro, o BC deve repetir a dose em setembro, reajustando a Selic em 0,75 ponto percentual. Depois, o ritmo volta a ser mais gradual nas reuniões de outubro e dezembro, com Selic fechando 2008 em 14,75%. Atualmente, a taxa está em 13% ao ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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