Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercados: Juros longos recuam com mais um sinal de recuo da inflação

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de vencimento mais longo encerraram a sexta-feira em baixa, reagindo a mais um indicador que apontou para o arrefecimento das pressões inflacionárias.

Valor Online |

Já os vencimentos curtos ficaram praticamente estáveis, seguindo a alta da produção industrial, que vem reforçar a atuação do Banco Central (BC) para conter o descompasso entre oferta e demanda.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com baixa de 0,11 ponto, a 14,77% ao ano. O vencimento janeiro 2011 perdeu 0,20 ponto, para 14,35%, e janeiro 2012 também recuou 0,20 ponto, para 13,95%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para janeiro de 2009 fechou estável a 13,71. Agosto de 2008 não teve negócios e setembro de 2008 recuou 0,01 ponto, para 12,84%. Outubro de 2008 fechou a 13,08%, sem alteração.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 621.600 contratos, equivalentes a R$ 50,95 bilhões (US$ 32,52 bilhões), montante 52% maior do que o registrado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 358.485 contratos, equivalentes a R$ 29,46 bilhões (US$ 18,80 bilhões).

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) encerrou julho com alta de 0,53%, mostrando desaceleração em relação à medição anterior, de 0,67%, e abaixo da mediana das expectativas, de 0,57%.

Ainda pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou crescimento de 2,7% para a produção industrial de junho ante maio, maior alta na série com ajuste sazonal desde outubro do ano passado.

Em discurso, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a afirmar que a autoridade monetária pretende trazer a inflação de volta para o centro da meta, estipulado em 4,5%, no final de 2009.

Tal desejo já havia sido expressado por Meirelles em outras oportunidades e foi reiterado formalmente na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), apresentada ontem.

Na avaliação dos economistas do Unibanco, a ata apresentada na quinta-feira deixa duas importantes questões em aberto. A primeira delas é como o BC conseguirá entregar inflação de 4,5% em 2009 sem sacrificar demais o crescimento.

Pela avaliação do banco, o ponto principal é como o BC enxerga os preços administrados em 2009. O Unibanco prevê alta de 6%, contra a visão do BC de 4,8%. Usando a previsão do BC em seus modelos, o Unibanco aponta que um aperto de monetário de 400 pontos na Selic seria suficiente para trazer a inflação para 4,4%. Mas lembra que tal movimento tem um custo para a atividade. Esperamos que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 3% em 2009, recuando de 4,8% neste ano. E qualquer surpresa de alta na inflação pode significar uma contração ainda maior da atividade, diz a instituição.

O Unibanco acredita que o ciclo de ajuste monetário será, de fato, de 400 pontos base, com a Selic chegando a 15,25% no começo de 2009. No entanto, como os economistas do banco consideram preços administrados maiores do que os do BC, sua projeção para a inflação fica em 4,8%, acima, portanto, do centro da meta.

Ainda de acordo com o banco, embora a desaceleração no crescimento pareça certa em 2009, um grande risco se esconde no curto prazo. É aqui que se levanta a segunda dúvida deixada pela ata, pois as restrições à capacidade de produção e a elevação nos preços de importação podem dar suporte a uma inflação sustentada pela demanda.

Embora dados melhores de inflação devam continuar saindo, o Unibanco concorda com o Banco Central, e aponta que um ponto a ser observado de perto é o descasamento entre oferta e demanda. O Unibanco acredita que enquanto a demanda continuar dando sinais vibrantes e crescendo mais que a oferta, o BC continuará subindo os juros.

O efeito disso nas curvas de juros, segundo o banco, é algo que vem sendo observado desde a decisão do Copom no último dia 23: os vencimentos longos perdendo prêmio em função da melhora da inflação e a ponta curta pressionada pelas indicações de forte atividade econômica.

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG