SÃO PAULO - Como na quinta-feira, os contratos de juros futuros encerram a sessão de hoje sem direção definida. Os vencimentos longos deram continuidade ao movimento de baixa iniciado ontem, enquanto os contratos mais curtos apontaram para cima.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com perda de 0,01 ponto, a 14,93% ao ano. O vencimento janeiro 2011 caiu 0,07 ponto, 14,88%, e janeiro 2012 recuou 0,13 ponto, para 14,63%.

Na ponta curta, agosto de 2008 avançou 0,04 ponto, projetando 12,46%. Setembro de 2008 subiu 0,03 ponto, para a 12,64%. Outubro de 2008 ganhou 0,04 ponto, para 12,84% ao ano, e o DI para janeiro de 2009 fechou com alta de 0,03 ponto percentual, para 13,46% anuais.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 710.225 contratos, equivalentes a R$ 61,94 bilhões (US$ 38,92 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 207.695 contratos, equivalentes a R$ 16,95 bilhões (US$ 10,65 bilhões).

A instabilidade na formação das taxas reflete a cautela dos agentes dada à proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide na próxima quarta-feira, dia 23, o rumo da taxa de juros.

Não existe consenso entre os agentes, mas as apostas de manutenção do ritmo de alta em 0,5 ponto percentual por reunião ganharam força nas últimas semanas, conforme a inflação deu sinais de trégua.

Para o economista da Geral Asset, Denílson Alencastro, o Banco Central (BC) deveria adotar uma postura um pouco mais preventiva e subir a taxa básica em 0,75 ponto na semana que vem, levando a Selic de 12,25%, para 13% ao ano.

O que justificaria tal ação, segundo o economista, é o avanço das expectativas de inflação, que já se aproximam do teto da meta estipulada para 2008. O boletim Focus, do Banco Central, aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que baliza a política de metas, em 6,48% no encerramento do ano, contra o teto de 6,5%.

Além disso, afirma Alencastro, as últimas declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também sinalizam para um ajuste mais forte dos juros. Em entrevistas recentes, o titular do BC enfatizou que busca o centro da meta de 4,5% já para 2009. Pelo Focus, o IPCA em 2009 será de 5%.

Pela projeção do economista, além da alta de 0,75 ponto agora em julho, outro ajuste de 0,75 seria feito em setembro. Depois, o ritmo voltaria para 0,5 ponto nas reuniões de outubro e dezembro, com a Selic fechando 2008 em 14,75%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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