SÃO PAULO - Depois de uma semana de baixa, os contratos de juros futuros começam a semana apontando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Sem indicadores de peso na agenda do dia, os agentes assimilam as projeções do Boletim Focus, de inflação maior tanto para 2008 quanto para 2009.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 avançava 0,03 ponto, para 13,42%. O DI para janeiro de 2010 operava com ganho de 0,02 ponto, para 15,11%. Janeiro 2011 apresentava elevação de 0,03 ponto, para 15,29%. Em direção contrária, janeiro 2012 apontava 15,09%, leve baixa de 0,01 ponto.

Entre os contratos mais curtos, agosto, setembro e outubro de 2008 não registravam negócios.

O analista de mercados da Hencorp Commcor Corretora, Marcos Forgione, observou que os contratos de juros de futuros têm um começo de semana de poucos negócios, precificando a piora nas projeções de inflação.

A sondagem do BC junto a instituições financeiras aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 6,48% para 2008, contra projeção anterior de 6,4%. Está cada mais próxima do teto da meta, fixado em 6,5%. A estimativa para 2009 também foi reajustada, de 4,91% para 5%.

Forgione comentou que o mercado de juros segue atrelado ao que acontece no cenário externo, onde persistem as preocupações com o rumo de preço das commodities.

Para ele, enquanto não houver um posicionamento do Federal Reserve (Fed), banco central americano, aumentando também a taxa de juros, os EUA continuarão exportando inflação.

O rendimento negativo dos títulos da dívida dos EUA e a conseqüente baixa no valor do dólar levam os investidores a buscar rendimento em ativos reais, e as matérias-primas se apresentaram como boa fonte de ganho nos últimos anos.

O analista também lembra que a chegada desses novos players não-produtores no mercado de alimentos, energia e metais responde por boa parte da pressão de alta no preço das commodities.

Forgione afirmou que o Brasil pode se beneficiar desse período de maior preço de alimentos. Além dos ganhos por ser um grande produtor, o país pode usar isso como moeda nas negociações para a redução de barreiras comerciais.

Voltando o foco para a política monetária brasileira, o analista acredita que o Banco Central brasileiro manterá o ritmo de ajuste na Selic em 0,5 ponto percentual por reunião até o fim de 2008.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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