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SÃO PAULO - A piora nas expectativas de inflação e a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) garantem um pregão de alta para as taxas de juros futuros. Pela primeira vez no ano, o boletim Focus aponta inflação em 6,53% para o encerramento de 2008, superando assim o teto da meta de inflação fixado em 6,5%. O ponto positivo do boletim é a estabilidade na projeção para 2009, que ficou em 5%.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com alta de 0,10 ponto, a 15,03% ao ano. O vencimento janeiro 2011 subiu 0,15 ponto, também a 15,03%. E janeiro 2012 avançou 0,15 ponto, para 14,78%.

Na ponta curta, agosto de 2008 avançou 0,08 ponto, projetando 12,54%. Setembro de 2008 fechou estável a 12,64%. Outubro de 2008 ganhou 0,05 ponto, para 12,89% ao ano. E o DI para janeiro de 2009 fechou com alta de 0,07 ponto percentual, para 13,53% anuais.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 329.960 contratos, equivalentes a R$ 28,18 bilhões (US$ 17,68 bilhões), montante 53% menor do que o registrado na sexta-feira. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 126.145 contratos, equivalente a R$ 10,29 bilhões (US$ 6,45 bilhões).

Avaliando a trajetória dos dados do boletim Focus, Marcela Prada, economista da Tendências Consultoria, aponta que a piora nas expectativas não foi tão acentuada e a estabilidade na estimativa de 2009 pode ser vista de forma positiva, mesmo que siga acima do centro da meta de 4,5%.

Ainda de acordo com a economista, os dados do Focus não alteram a previsão para a taxa Selic. Pelo quadro atual teria espaço para um aumento mais forte, mas o mais provável é manutenção no ritmo de alta.

Apesar da piora de cenário desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), Marcela acredita que o colegiado do BC optará pelo gradualismo no ajuste da política monetária, com ajustes de 0,5 ponto pelo período que for necessário.

O risco de tal atuação, segundo a economista, é ter que prolongar o ciclo para além de 2008. Mudamos a nossa previsão. Acreditamos em altas de juros até janeiro de 2009, com a Selic chegando ao final do ciclo em 14,75%.

A decisão oficial sai na quarta-feira e não há consenso sobre qual será atuação do Banco Central. Os agentes seguem dividido entre 0,5 ponto e a necessidade de um ajuste mais forte, de 0,75 ponto percentual. Atualmente a taxa básica está fixada em 12,25% ao ano.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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