SÃO PAULO - Seguindo a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), os contratos de juros futuros passam por ajustes na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os vencimentos curtos sobem, se alinhando à nova taxa; os mais longos, até janeiro de 2010, apontam para baixo, já que as ações de política monetária tomadas agora reduzem a incerteza futura.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 recuava 0,09 ponto percentual, para 14,62%. Em outra direção, janeiro 2011 registrava alta de 0,05 ponto, a 14,40%. E janeiro 2012 apontava 14,16%, elevação de 0,12 ponto.

Na ponta curta, outubro de 2008 avançava 0,08 ponto, para 13,60%. Novembro de 2006 aumentava 0,06 ponto, a 13,63%. Dezembro de 2008 registrava acréscimo de 0,04 ponto, para 13,82%. E janeiro de 2009 era negociado a 14,01%, também alta de 0,04 ponto.

Conforme o esperado, o colegiado do Banco Central (BC) subiu a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, para 13,75% ao ano. O economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, avaliou que a surpresa ficou por conta do placar dividido.

Ao contrário das decisões anteriores, não houve consenso - foram 5 votos pelo aumento 0,75 ponto e 3 a favor de uma elevação de 0,5 ponto. A expectativa era de unanimidade, o que demonstraria um pouco mais de harmonia com relação ao discurso do BC , notou Serrano.

A falta de consenso, porém, promove uma convergência das expectativas para a decisão de outubro. Para Serrano, o placar dividido aumenta a probabilidade de o próximo ajuste na Selic ser de 0,5 ponto percentual e isso se reflete na curva futura, promovendo a queda nos vencimentos até janeiro de 2010.

Os contratos mais longos, segundo o economista, são influenciados pela falta de unanimidade da decisão, mas assimilam com mais intensidade o cenário externo pouco favorável.

Para Serrano, a ata da reunião, que será apresentada na semana que vem, deve abordar, além da inflação e atividade, o comportamento da taxa de câmbio, variável que vem influindo na estrutura de juros. É possível que venha uma análise do cenário internacional, com a queda das commodities e o contraponto da depreciação da moeda brasileira.

Na avaliação do economista, a recente apreciação da moeda reflete o ambiente de restrição global de crédito e queda constante no preço das matérias-primas. Para Serrano, o dólar pode até subir mais um pouco, mas o atual valor da moeda estrangeira, acima de R$ 1,82, já está distorcido.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realiza hoje leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). As propostas serão tomadas das 12h às 13h, com operação especial das 15h às 16h.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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